Os metalúrgicos de ontem, hoje são mais numerosos. Fecharam a rua. O carro de som desfila pelo Centro de Niterói, comunicando suas exigências. Por isso, achei cabível copiar o arremedo de poema que segue abaixo. Mais uma vez, peço perdão a quem já o conhece...
Segunda-feira.
O sol brilha e anuncia
um belo dia:
quente, efervescente,
de suar em bicas.
Os trabalhadores
despertos
sequer olham o céu
e rumam cinzentos,
idênticos e apáticos,
como sempre.
Caminham
no mesmo ritmo,
contando as horas
que os separam
da liberdade lá fora.
Ao fim da jornada,
exaustos,
o sol há muito já era.
Resta apenas a lua,
a noite,
a espera.
Passa a terça,
a quarta, a quinta...
E só quando vier
a sexta-feira,
o trabalhador olhará
para o céu do amanhã
de outra maneira.
***
Uma homenagem a todos
os trabalhadores brasileiros
e do mundo inteiro
que, como eu,
mal podem esperar
para viver intensamente
mais um sábado
e um domingo.
***
Deixei de ser gente,
passei a ser coisa.
Sou gado marcado
a ferro e a fogo
por meu patrão.
Não sou indivíduo,
não tenho vontade,
sou funcionária,
uso uniforme
e bato o cartão.
Exijo respeito,
mas de que jeito?
Sou operária,
sou nada,
sou máquina.
(30 de abril de 2004)
Publicado no Multiply, em 29 de outubro de 2004.
Segunda-feira.
O sol brilha e anuncia
um belo dia:
quente, efervescente,
de suar em bicas.
Os trabalhadores
despertos
sequer olham o céu
e rumam cinzentos,
idênticos e apáticos,
como sempre.
Caminham
no mesmo ritmo,
contando as horas
que os separam
da liberdade lá fora.
Ao fim da jornada,
exaustos,
o sol há muito já era.
Resta apenas a lua,
a noite,
a espera.
Passa a terça,
a quarta, a quinta...
E só quando vier
a sexta-feira,
o trabalhador olhará
para o céu do amanhã
de outra maneira.
***
Uma homenagem a todos
os trabalhadores brasileiros
e do mundo inteiro
que, como eu,
mal podem esperar
para viver intensamente
mais um sábado
e um domingo.
***
Deixei de ser gente,
passei a ser coisa.
Sou gado marcado
a ferro e a fogo
por meu patrão.
Não sou indivíduo,
não tenho vontade,
sou funcionária,
uso uniforme
e bato o cartão.
Exijo respeito,
mas de que jeito?
Sou operária,
sou nada,
sou máquina.
(30 de abril de 2004)
Publicado no Multiply, em 29 de outubro de 2004.