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| Bicudinha e Balu protestam: "Queremos um ooelho para brincar!" |
Sinta-se à vontade! Está vendo aquele sujeito de camisa amarela, encostado no balcão? Pois então... É o freguês mais antigo deste "café zurrapa", como tantos que existem no Largo da Lapa. Folião de raça, há muito já passou do quarto copo de cachaça! Como diria Ary Barroso: "isso não é chalaça"!
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
A vizinha, o coelho e a pipoca
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Good morning, Mr. Murphy!
sábado, 31 de março de 2012
Arteterapia, um novo caminho a trilhar
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| Eis o tão falado colar... Só falta tirar foto do fecho! rs |
sábado, 10 de março de 2012
Eu tenho um vício...
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| Minhas botinhas, clicadas por Elisa Madi em Amsterdam (out./2011), podem ser vistas em aqui. |
| Os famosos sapatos de Van Gogh. |
quinta-feira, 8 de março de 2012
As manias de Dona Gatinha
quinta-feira, 1 de março de 2012
O bolo espatifado
Naquela terça-feira, eu tinha marcado uma reunião com a Kika para começarmos a definir alguns detalhes do casório, marcado para outubro. Acontece que, naquele dia, 24 de abril, Flávio completava 38 anos e aproveitaríamos também para comemorar. Eu ainda não trabalhava na CNC, mas lembro de ter ido à Casa de Espanha para ter aula à noite. A marajó ainda existia. E, se não estou embaralhando tudo, foi nesse dia que precisei trocar pela primeira vez o pneu do meu carro.
Não faço ideia de quando comprei o bolinho para o Flávio e tampouco sei se foi na Lecadô ou na Tati. Certamente, num dos dois lugares. Lembro, apenas, de sair da aula e descer para o estacionamento, onde peguei o carro e segui para a saída. Chegando lá, me dei conta de que um pneu estava vazio. Ninguém me ajudou sequer a encostar o carro. Muito menos a trocar o pneu. Meu professor passou de moto por mim, rindo, e não deu a mínima. Aliás, foi naquele momento que percebi que não valia a pena manter qualquer relação extraclasse com ele. Liguei, então, desesperada para o Flávio, que disse que estava indo para lá, mas ia demorar.
Eu já havia marcado com a Kika na Tijuca e fiquei com medo de não conseguir chegar a tempo. Então, botei mãos à massa. Flávio chegou quando eu estava terminando o serviço, bem a tempo de me ajudar com os apertões finais. Confesso que me senti meio orgulhosa. Fomos, então, encontrar a Kika no Baobá, que já nem existe mais. Creio que estávamos eu, Flávio, ela, Michelle, Jaqueline e, provavelmente, Juliana. Conversamos, cantamos parabéns, comemos bolo.
Entramos na marajó. Não lembro se todos, mas o que me faz acreditar que a Juliana estava junto é que viramos na Conde de Itaguaí e descemos a Conde de Bonfim em direção à Praça. Seria a única razão para viramos para lá, já que a Michelle mora perto de mim, a Jaque mora perto do Sesc e a Kika, no Grajaú. Na última vez em que toquei neste assunto com a Jaque, ela disse não lembrar desse dia. A Michelle também não lembra direito. Não sei a Juliana...
Bem, tudo isso é porque ontem eu estava andando a pé pela Conde de Bonfim, voltando para casa, e passei pela esquina da rua Henry Ford. Com isso, lembrei do dia em que fiz a curva com o resto do bolo do Flávio esquecido em cima do carro. Pessoas, na esquina, fizeram sinal para me alertar de que havia algo fora de lugar, mas não dei importância. Fiz a curva com vontade e só ouvimos o ploft. Levamos um tempo até identificar a origem do som. Rimos. Decidi escrever porque minha memória já não é mais a mesma e achei melhor deixar registrado. Talvez não tenha sido nada disso, talvez tenha misturado tudo... O tempo é traiçoeiro e prega peças na gente. Não importa. Deixo aqui o que lembrei. Porque o bolo era uma delicia e fiquei chateada por ele ter se espatifado no chão. Antes o tivesse deixado para os garçons.
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| Nem todo gato que cai da janela tem um fim tão triste quanto o do bolo de aniversário espatifado... |
domingo, 24 de julho de 2011
"Você tem fome de quê?
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Qualquer semelhança é mera coincidência?
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| O Sósia (ou Álvaro) é o que aparece atrás da cara de bobo do Léo, que gentilmente posou para a foto e, sem o qual, esta história não teria boa parte da graça. |
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| O famoso Marinaldo Guimarães, meu falecido tio. |
domingo, 6 de março de 2011
Memórias de outros carnavais
Quem sabe amanhã, não é mesmo? Meus amigos em peso irão ao Boitatá. Acho que preciso seguir cada dia de uma vez. Se não chover tem mais chance... Talvez ver os shows gratuitos nos Arcos da Lapa seja uma opção mais realista. Vejamos.
E deixo, aqui, o melhor exemplo musical não-carnavalesco que encontrei para este sábado à noite:
Ensaiei meu samba o ano inteiro,
Comprei surdo e tamborim.
Gastei tudo em fantasia,
Era só o que eu queria.
E ela jurou desfilar pra mim,
Minha escola estava tão bonita.
Era tudo o que eu queria ver,
Em retalhos de cetim.
Eu dormi o ano inteiro,
E ela jurou desfilar pra mim.
Mas chegou o carnaval,
E ela não desfilou,
Eu chorei na avenida, eu chorei.
Não pensei que mentia a cabrocha,que eu tanto amei.
domingo, 5 de setembro de 2010
Diálogo insólito no trajeto Carioca-Saens Peña
deve ser difícil em qualquer língua... Mas agora fiquei curiosa!
— Você está lendo em inglês, né?
— Não, eu fiz curso, mas já faz muito tempo – respirei fundo.
— Espanhol se aprende no susto, né?
Eu não resisti e ri. Imaginei um espanhol ou argentino, em geral famosos pela impaciência, tentando entender um turista perdido que acha que fala espanhol. Respondi:
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Feriadão de Natal - 1ª parte
Foi bacana ler na rede com as cachorras ao lado (nem sempre exatamente ao lado, já que elas tentaram subir na rede inúmeras vezes), ir ao cinema, beber com amigos no Da Gema (especialmente com a Jaque, que raramente aparece por estas bandas e ainda não conhecia o bar, seu maravilhoso pastel de feijão gordo e suas cervejas estupidamente geladas), depois do cinema. Foi um fim de semana para botar algumas coisas em dia. Dividi-o em dois posts, porque achei que o texto ficaria longo demais. Parto da seguinte premissa: se nem eu tiver muita paciência para ler, é porque o texto precisa ser cortado.
Li Nove noites - o livro que ganhei de amigo oculto da Julie, lembram? - de uma levada só, afinal era fininho e a narrativa fluiu bem. Confesso, porém, que o fiz com o maior dos cuidados, para trocá-lo na Saraiva. Por mais que tenha sido uma leitura agradável, não era um livro que eu fizesse questão de manter na estante e já que podia trocá-lo, por que não? Na verdade, fiquei um pouco decepcionada com o final, que me pareceu um tanto batido. E achei o enredo um pouco confuso, embora não seja nada que comprometa a leitura. Gostei, só não achei genial. Esse lance pós-modernista que mistura realidade e ficção é algo que me agrada, mas ainda prefiro ler Saramago (daí ter ficado felicíssima com o presente do meu tio) ou mesmo Em liberdade, do Silviano Santiago, que dá continuidade às Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos.
O ruim da Saraiva é que a gente chega lá para trocar o livro e acaba saindo com, pelo menos, dois. Foi o que aconteceu comigo dessa vez. Encarei o temporal que caía no fim do expediente, o Metrô caótico (um vagão a menos e sem ar é muita sacanagem!) e rumei para o Shopping Tijuca. Eu já sabia que acabaria desembolsando algum, mas exagerei. Não consegui me decidir entre o último romance do Rubem Fonseca (O seminarista), embora prefira seus contos, e o penúltimo do Saramago, que eu ainda não tinha: A viagem do elefante.
O do Rubem Fonseca eu já comecei a ler na fila mesmo, enquanto esperava para pagar, mas acho que não vou retomá-lo já, não. Quero terminar A alma encantadora das ruas, coletânea de crônicas de João do Rio. Divirto-me muitíssimo com cada crônica, porém é uma leitura que tenho tido dificuldade em engrenar. Culpa do Metrô, que anda caótico! E do sono que venho sentindo pela manhã no 413...
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Juiz de Fora afora*
Aqui o rótulo que não me deixa mentir
No domingo, 1º novembro, dia de todos os santos, fomos passear no parque Mariano Procópio. Uma graça. Pena que não deu para visitar o museu, porque está em reforma. E pena também que meu digníssimo marido não comprou pilhas novas para a máquina e, graças a isso, temos pouquíssimas fotos de nosso fim de semana mineiro. De lá, fomos ao Cristo (sim, lá há um cristo!), no Morro do Imperador, almoçamos num lugar que vende doces - chamado Salva-Terra, onde a Fárida se encantou com um tucano que voava livremente - e tomamos uns maravilhosos-divinos-extraordinários sorvetes artesanais numa sorveteria chamada Bom Clima. Depois, tomei um café com morango (lindo e perfeito) e um doce delicioso numa cafeteria que, se não me engano, chama-se Café com Morango (dã!). À noite, fomos a um bar chamado Mercearia, de esquina, com uns armários antigos lindíssimos. Interessante, mas o padrão dos bares dali lembra um pouco o que virou a Lapa carioca, hoje. Com o que há de bom e de ruim. Tem até flanelinha!
* Infame, mas não resisti...
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Perdão, sumi de novo
O problema maior é que os assuntos sobre os quais tenho pensado ultimamente não são muito publicáveis, são coisas que não pretendo divulgar, debater abertamente: são pessoais. Bem, meu blog é estritamente pessoal, já que só falo sobre o que me interessa e ponto final. Entretanto, justamente por isso, faço uma pré-seleção do que desejo ou não tornar público e notório. Por conta disso, aliás, já deixei de comentar um monte de coisas. Inclusive, porque, há coisas que só fazem sentido se escritas no timing certinho. Se passou aquele momento exato, já era. Melhor calar.
Bem, tudo isso é apenas para dizer que ainda estou por aqui, sim. O blog está ativo, embora eu não esteja tanto assim... Estou ligeiramente fechada para balanço, repensando escolhas e caminhos. Sinto que estou vivendo um momento crucial, daqueles em que é preciso tomar uma posição. E eu não quero me deixar apenas "levar pela maré". Quero decidir. E, com isso, me lembro do verso de Fernando Pessoa: "Navegar é preciso, viver não é preciso".
atualmente em exposição no Espaço Cultural da Marinha (RJ)
Aos interessados: de terça a domingo, das 12h às 17h - É de graça!
Para quem não conhece, segue o poema:
Navegar é Preciso
(Fernando Pessoa)
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não
É necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande, ainda que para isso
tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho
Na essência anímica do meu sangue o propósito
Impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
Para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Aproveitando a deixa, segue a letra da música Os Argonautas, de Caetano Veloso, que dialoga com o poema acima:
Os Argonautas
(Caetano Veloso)
O Barco!
Meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso...(2x)
O Barco!
Noite no teu, tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso (2x)
O Barco!
O automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso...(6x)
E, para concluir... Não podia ficar de fora:
Timoneiro(Paulinho da Viola)
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar
Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
- Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor
Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Rio de Samba e de Chuva
Pois bem, o sábado prometia ser ainda mais sambístico. Tivemos notícia de que nosso amigo Beto Caratori estava se apresentando no botequim VacaBrava, aqui mesmo na Tijuca. Infelizmente, ao chegarmos lá – eu, Flávio e meu pai –, encontramos um atendimento confuso e todas as mesas reservadas para não sei quantas comemorações de aniversário. Depois de muita negociação, conseguimos uma mesa, mas só lá no fundão. Segundo o gerente(?) que nos atendeu, não seria possível colocar nossa mesa mais à frente pois o espaço seria destinado à dança. Não sei, mas me pareceu haver uma certa má vontade mesmo... Uma pena, mas não valeria a pena pagar R$ 12 de couvert para não ver nada. De qualquer maneira, penso que a iniciativa é bacana e o que eu mais desejo é que a Lapa se espalhe até a Tijuca! Sim, porque aquilo ali é bem a cara da Lapa. No que há de bom e de ruim, na estética e no preço. Ainda assim, que venha.
O domingo, por sua vez, foi também movimentado. Depois de um churrasquinho em família que durou praticamente o dia inteiro, partimos para Santa Teresa com o intuito de prestigiar o aniversário de nossa amiga Eugênia. Levei meus primos Germana e Guilherme (este diretamente de Barcelona) com seus respectivos pares – Hernán e Adriana – e o bebê mais animado que já vi, meu priminho Moreno (filho do Gui e da Adriana). Mais uma roda de samba genial, num lugar super aconchegante, a varanda do Terra Brasilis (albergue em frente ao Parque das Ruínas). A lamentar mesmo só o cinza do céu, que não deixava a gente curtir a vista direito. No mais, tudo perfeito.
Pensam que acabou? O melhor guardei para o final: o Angu do Gomes está de volta. Isso mesmo! E com ele, provavelmente, a CASCA (Confraria dos Amigos do Samba, Choro e Angu). O Vô Basílio (antigo dono e avô do Rigo, que agora comanda a casa) estava lá, radiante, curtindo cada segundo da (re)inauguração, que foi fantástica. Para início de conversa, quem cortou a fita inaugural foi a Vó Maria. O lugar estava cheio, com mesinhas que se espalhavam pela rua aproveitando a trégua dada pela chuva. O chopp, a coca-cola e o angu (delicioso!) eram liberados e foram servidos ao som de samba e choro. A roda era composta por Patrick (7 cordas), Abel (cavaco), Luciano (bandolim), Silvia (trompete e escaleta), Pedro e Ronaldo (revezando-se no pandeiro). E ainda teve o choro pintado do De Paula, a performance do Gularte (o dito pelo não dito) e as canjas de: Beto Caratori, Gabriel Cavalcante, Vó Maria (obviamente) e do meu primo, Guilherme Guimarães. Putz, muito bom mesmo! Esse é um lugar que realmente vale a pena conhecer, principalmente pela localização: o largo de São Franciso da Prainha. Que tenha vida longa!
Pois é... E minhas férias ainda não acabaram. Pensei que a primeira coisa sobre a qual escreveria aqui seria Fortaleza, mas fui brindada com uma avalanche de coisas tão legais ao desembarcar no Rio que nem deu tempo. Então, vejamos o que ainda vem por aí! Só tomara que eu agüente o tranco... Enquanto isso, cantemos:
A CHUVA CAI
A chuva cai lá fora
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Se continuar assim, o Rio vai virar mar...
"Essa cidade que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Desde o tempo da vovó
Tem um problema vitalício e renitente
Qualquer chuva causa enchente
Não precisa ser toró
Basta que chova mais ou menos meia hora
É batata, não demora
Enche tudo por aí
Toda cidade é uma enorme cachoeira
Que da praça da Bandeira
Vou de lancha ao Catumbi
(...)"
O temporal, que durou cerca de 40 minutos, trouxe os já conhecidos engarrafamentos, desabamentos e afins. A volta pra casa foi, como sempre acontece nesses casos, complicada. A pé, enchente. De carro ou ônibus, trânsito caótico. Metrô e trem? Filas intermináveis e a chance de virar sardinha em lata.
Cheguei ao metrô da Cinelândia acompanhada pelo Marcelo Vital – colega de trabalho e também tijucano – e vi que a fila já subia as escadas. Decidimos, então, fazer uma hora pra ver se a coisa acalmava. Tomamos um suco de manga e, às 20h, tentamos de novo. Dessa vez, a fila não subia pelas escadas, mas fazia um enorme caracol. Difícil de achar o fim, desanimador.
Resolvemos caminhar até a Lapa para, de lá, ver que rumo tomar. Logo no princípio, quase desistimos por conta das pessoas que atravessavam a rua no sentido contrário, com sacos plásticos nos pés. Entretanto, a água já havia baixado e chegamos a pensar que por ali não havia caos algum. Ledo engano. Mem de Sá: engarrafada a perder de vista.
Os ônibus, enfileirados, pareciam estar meramente estacionados. Pelas calçadas, vazias, fomos pulando as poças até a praça da Cruz Vermelha. Lá, um gigantesco nó impedia o fluxo de seguir adiante, tanto que, dali em diante, não havia trânsito. Nem ônibus, portanto. Lembro que cheguei a comentar que parecia uma cena do filme Ensaio sobre a cegueira... Pessoas andando a esmo, tentando encontrar o caminho de casa... A única diferença é que todos enxergavam, acho.
Seguimos até o Sambódromo. Escuridão, poças maiores, sujeira, Salvador de Sá praticamente deserta. Chegamos ao Estácio. Metrô? Não, agora era melhor passar a Paulo de Frontin... E fomos. Por sorte, não havia mais enchente. Na estação seguinte, na praça Afonso Pena, peguei um 415 até em casa. Vital, que mora nas proximidades do Maracanã, ainda seguiu a pé o resto do caminho. Enfim...
lixo de Bremen (Alemanha), após tempestade que atingiu o
país em 18 de janeiro de 2007, deixando pelo menos 10 mortos.
(AP Photo/Joerg Sarbach)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Eu leio, sim... e adoro!
Minhas mais recentes aquisições foram: La invención de Morel, de Adolfo Bioy Casares (citado no post anterior), e El Aleph, de Jorge Luis Borges. Ambas maravilhosas. Recomendo.
PS: A quem quiser aprender a caminhar enquanto lê, recomendo a leitura (olha ela aí de novo!) do manual How to Read While Walking.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Hoje de manhã, no 413...
Minha nada confortável sala de leitura de todas as manhãs
Por isso, hoje, enquanto lia La invención de Morel, de Adolfo Bioy Casares, que imprimi da internet (e é uma obra-prima!), olhei de rabo de olho para o livro que o senhor ao meu lado puxava de uma bolsa. Fiquei surpresa ao ver em suas mãos A audácia dessa mulher, escrito por Ana Maria Machado, autora da qual gosto muito. Quando criança, lia seus livros infanto-juvenis e, há alguns anos, descobri seus romances adultos. Entre eles, sinto um carinho especial por esse livro que conta a história da Capitu, prato cheio para qualquer amante da literatura de Machado de Assis. Como eu que, aliás, fui fazer Letras na (vã) esperança de aprofundar-me ainda mais em sua obra.
Justamente quando estava sem saber se continuava a ler o meu Casares ou se entabulava conversa com meu companheiro de viagem, um sujeito começa a pedir aos passageiros para que lhe déssemos algum trocado, pois estava doente, precisava de remédios e toda aquela ladainha de sempre... Seria apenas mais um, mas o problema era que o fulano era meio fanho e, para que a voz chegasse a todos, ele tinha que realmente gritar - E como berrava! -, o que tornava a coisa ainda mais desagradável e difícil de entender.
Olhei para o senhor, tranqüilo, que sorriu para mim e me apontou seu aparelho de surdez, fazendo sinal de que o havia desligado. Sorri de volta e pensei: “Que sorte!” Só quando o silêncio voltou a reinar, o senhor religou seu aparelhinho mágico e entabulamos uma conversa divertida sobre Machado... até que ele desceu no ponto em frente ao Calouste, e eu voltei pro Morel. Tomara que ele goste do livro tanto quanto eu, já que confessou não ser sua literatura preferida, e que eu lembre todos os contos machadianos que ele citou, para que possa buscá-los em casa ou na internet. Afinal, é sempre bom ler (ou reler) o que vale a pena ser lido.
Pena que não encontramos pessoas assim todos os dias.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Tijuca, sim
Até parece que não acontecem outras coisas pelo bairro! Boas, inclusive. Quando aparecem nos jornais têm sempre um tom de release... Desculpem, mas essa é a impressão que tenho. Parece que nem se dão ao trabalho de apurar a notícia, publicam qualquer coisa... Poxa! Sei que dá trabalho e que a culpa nem sempre é do jornalista, mas será que é tão difícil assim mudar o foco!? Gostaria que falassem da cultura, dos costumes, de qualquer coisa que ajudasse o tijucano a recuperar um pouco do seu orgulho... Cito aqui alguns exemplos bacanas:
1) Praça Saens Peña. O filme, com roteiro e direção de Vinícius Reis, conta a história de uma típica família tijucana, que vive num apartamento no coração da praça Saens Peña. Paulo (Chico Diaz) é professor de literatura do colégio São José, Teresa (Maria Padilha) trabalha numa lanchonete ali no Shopping 45 e a filha deles, Bel (Isabela Meireles), está para fazer vestibular e passa o tempo livre na praia da Barra. Uma proposta de trabalho oferecida a Paulo gera várias crises e põe em risco um casamento de 20 anos. O elenco é formado, ainda, por nomes como Gustavo Falcão, Guti Fraga, Maurício Gonçalves e Aldir Blanc. Tempo de Menino, composta por Pedro Luís, é o tema musical.
Paulo, Teresa e Bel: uma típica família tijucana
Tive o privilégio de assistir à primeira exibição de Praça Saens Peña no Festival do Rio 2008, às 22h30 do último domingo. É realmente muito bom. Sua fidelidade ao bairro é tanta que, apesar de se tratar de uma ficção, chega a parecer um documentário. Estão lá o que há de bom e o que há de ruim em se morar na Tijuca. Infelizmente, o Festival está chegando ao fim, e o filme foi programado para apenas três sessões. Para quem não conseguiu assistir, um alento: Praça Saens Peña deve entrar em circuito comercial no 1º semestre de 2009, às vésperas de a Tijuca completar 250 anos. Esperemos.









