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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O fim de ano e os amigos que se ocultam

Já há anos que aprendi a me desvencilhar dos amigos ocultos (ou secretos, como chamam alguns). Não gosto deles e não faço segredo disso a ninguém. Acho um porre ter que comprar presentes para pessoas que mal conheço. Detesto presentear por obrigação. Além disso, geralmente não ganho o que peço. Na maioria das vezes, recebo coisas pouquíssimo úteis ou interessantes. Fujo, portanto, dessa instituição que é o amigo oculto. Amigos, prefiro-os às claras. E tenho dito.

Pois bem, este ano não resisti e acabei sucumbindo a dois sorteios. O primeiro foi com a galera da pós, que organizou um amigo oculto só de sandálias havaianas, com direito a sorteio pela internet. Pensei com meus botões: "Gosto de havaianas, devo ganhar alguma, ainda que de outro modelo ou cor, e, se não gostar, é só trocar. Seria muito azar ganhar uma ipanema ou, pior, não ganhar nada". Participei e deu certo. Dei sorte, o modelo que precisei comprar era fácil de encontrar e não tive muito trabalho. Mas, confesso, continuo achando uma brincadeira boba... Afinal, nunca troquei mais que meia dúzia de palavras com a pessoa que tirei e, com a que me tirou, falei menos ainda (tenho até vergonha de dizer que só sei seu nome porque a sandália veio com etiqueta de/para). E não acho que isso vá mudar - e se acontecer não será por conta do amigo oculto - até o final do curso.

Minhas novíssimas havainas
tressê exotic rosa bebê

O outro amigo oculto foi mais "no susto" e quase imposto por minha querida amiga Julie. A ideia era reunir a galera da Letras/Uerj na Lapa para uma troca de livros. Bem que esperneei, reclamei, me fiz de vítima... Nada funcionou. Como assim eu não queria participar do amigo oculto? Julie já não acredita mais nos meus traumas... Humpf! Qual o problema em sermos ligeiramente hiperbólicas vez ou outra? Um pouco de drama, às vezes, cai bem...

Tive um trabalho hercúleo para conseguir comprar dois livros de literatura (afinal, obriguei meu digníssimo marido a participar) para amigos que seriam sorteados na hora. Tentei passar na única livraria que abre até tarde na Tijuca, a Saraiva do shopping, mas o caos estava ali instalado. Semana do Natal, né!? Mais do que esperado. Máquinas de conferência de preço não funcionavam, livros empilhados fora dos lugares corretos, pessoas se esbarrando, fila impedindo a conferência dos títulos nas prateleiras... Desisti. Antes de pegar o ônibus, ainda dei uma olhadinha na banca do Julio, em busca de bons livros usados em bom estado, também em vão.

Só no dia marcado é que resolvi aproveitar minha hora de almoço para caminhar até a praça XV. Fui direto no Al-Farábi, onde sabia que seria mais fácil encontrar exatamente os livros que gostaria de presentear. Até pensei em comprar livros de bolso na Folha Seca, por exemplo, mas achei que dificilmente encontraria algo que me interessasse de verdade. Não me entendam mal: gosto de livros de bolso, principalmente os da L&PM Pocket, que traz bons títulos... Mas eu cismei de comprar algum livro da Ana Maria Machado (que a maioria só conhece como autora de livros infantis); ou o Viva o povo brasileiro, do Ubaldo; ou A invenção de Morel, de Casares; ou Tia Julia e o escrevinhador, do Vargas Llosa; ou Todos os nomes, do Saramago. Era isso o que eu gostaria de comprar, ainda que fosse um livro usado. Porque livro de bolso todo mundo compra, mas esses títulos que citei raramente são oferecidos nessa versão e custam, por isso, muitas vezes, o triplo. Afinal, livro é caro no Brasil... e eu estava decidida a não gastar mais de R$ 30/R$ 40 nos dois livros.

Entrei na Al-Farábi e encontrei um título que há séculos indico à Julie: A audácia dessa mulher, da Ana Maria Machado. Estava em estado razoável e decidi levar. O único problema é que eu gostaria de dá-lo à Julie, mas isso eu não tinha como prever. Encontrei uma edição do livro do Vargas Llosa, mas com a lombada descolando. Não quis arriscar e peguei um García Márquez: Ninguém escreve ao coronel, que nem todo mundo leu (mesmo que tenha se formado em Letras, e talvez por isso). Estavam comprados, portanto, os tais livros. Passei numa lojinha da 1º de Março e comprei os embrulhos (porque eles deviam estar embrulhados). Missão cumprida, fui almoçar.

Sozinha que estava, aproveitei para conferir o sugestivo Ler Café (Dom Manuel 26 pertinho do Paço - Tel. 2215-2866). Sempre passo por lá quando resolvo gastar minha hora de almoço pelas imediações do Paço Imperial. Infelizmente, apesar das simpáticas cadeirinhas de palha, dos poemas escritos pelas paredes, dos livros dispostos na estante, nunca consegui convencer ninguém a me acompanhar até ali. Nem para tomar um cafezinho, que dirá para almoçar! Aproveitei minha solidão momentânea para entrar e pude escolher o lugar (afinal, o Judiciário tem recesso... eu é que não): um sofazinho de palha bem no canto. Peguei um livro entitulado Antigos cafés do Rio de Janeiro, de um mineiro chamado Danilo Gomes, pedi uma salada com um miniempadão de frango (deliciosos, ambos) e fiquei ali, folheando o livro emprestado ao som do CD da Mart'nália. Tomei meu café e saí, até meio triste, de volta à labuta. Num mundo perfeito: o amigo oculto seria de tarde, naquele café. Juro.

Fim de expediente. Carro (fui trabalhar motorizada para escapar do caos que havia se instalado no Metrô por conta da inauguração da estação em Ipanema e das mudanças na Linha 2). Praça Saens Peña. Academia. Lapa. Ruas e bares às moscas. Chopperia Brazooka. Galera no 2º piso. Calor infernal. Música alta por conta de um grupo chato de pagode (alguém da casa tentou me convencer de que era de samba) que tocou todos os hits do Djavan (alçado ao posto de sambista-mor, pelo visto). Cerveja quente (música/barulho dá para relevar, mas cerveja cara e quente é imperdoável). Amigo oculto? Impraticável. Consumimos os R$ 10 obrigatórios, entramos na fila para pagar (parece que todos tiveram, juntos, a mesma ideia) e saímos, rumo ao Cosmopolita. Lá, os fumantes ficaram à vontade para acender seus cigarros, a cerveja estava gelada, o ar noturno, agradável, e o amigo oculto pôde rolar sossegado. Antes tívessemos ido para lá desde o início.

Deu tudo certo. Flávio tirou uma menina (Juliana, acho) que acabávamos de conhecer e que espero que compreenda o livro de sebo (tomara que goste de García Márquez e/ou que ainda não tenha lido esse título; caso contrário, sugiro que vá ao Al-Farábi e peça para trocá-lo). Ele, por sua vez, ganhou o livro de poemas (cujo título é Risos, choros, suspiros e gemidos) escrito por um dos membros do grupo (André Oliveira, mais conhecido como Maradona). Autografado, lógico. Não somos, ambos, muito de poesia, mas parece interessante. Eu tirei o Fernando e, com isso, o livro acabou indo pra Julie, por tabela. A Julie foi tirada pelo Casaes, que lhe deu um livro de nome soturno (Diário do diabo, de Nicholas D. Satan) que o Fernando amou. O Casaes jura que o livro é divertidíssimo, registre-se. A Julie, então, me deu um livro do Bernardo Carvalho, chamado Nove noites, sobre os quais nunca ouvi falar (livro e autor). Ela diz que devo gostar e assim espero. Infelizmente, ninguém lembrou de tirar fotos.

3 comentários:

Fárida disse...

Era mais fácil fazer um amigo oculto de troca de livros. Vc troca o que não gosta na sua estante. Assim só ia ter aborrecimento para comprar o papel de embrulho. kkkkkk
Eu conheço o café do Paço Imperial e tb adoro. Qdo voltar a trabalhar no centro, eu vou almoçar com vc. rsrs
Bjsss

Beatriz Fontes disse...

Eu até pensei em catar alguma coisa já lida na minha estante, mas sou muito apegada aos meus livros... Não consegui.

Você pode vir almoçar no Centro comigo sem trabalhar por aqui, ora. É só combinar! Ou podemos nos encontrar na Saens Peña um dia desses, depois do expediente. Na verdade, depois da academia. Que tal?

Fárida disse...

Acho ótimo. Podemos marcar de nos vermos por aqui depois da sua academia. Fica mais fácil. Beijoooo