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domingo, 6 de março de 2011

Memórias de outros carnavais

Carnaval não é exatamente um momento fácil para mim. Nunca foi. Sempre me senti menos eufórica do que meus amigos. Lembro, quando criança, de pensar cuidadosamente na fantasia que eu usaria e, na hora h, eu me vestia para ficar em casa, muitas vezes sozinha. Soa deprê, né? Mas eu não ficava triste por isso. Às vezes, havia os bailes do Fluminense para ir, mas creio que era só isso mesmo. Fantasiar-me era algo quase burocrático.

Este período do ano tampouco me traz recordações de grandes viagens. Meus avós, tios, primos... Sempre foram ratos de praia e iam muito para a Região dos Lagos. Entretanto, em geral, quando acontecia de eu e meus pais viajarmos, íamos para o sítio, onde não havia carnaval propriamente dito. Mesmo assim eu me fantasiava, pelo que lembro. E nem sempre havia um propósito nisso. O pior era ficar trancada em casa, à noite, sem outras crianças, sendo obrigada a assistir aos desfiles das escolas na TV. Beirava a tortura, porque a casa que tínhamos na serra era pequena e eu não conseguia dormir com aquele barulho.

Namorei e casei com um homem que amava o carnaval, apesar de ser um sujeito absolutamente introspectivo. Sabia todas as letras de samba-enredo, lembrava dos desfiles de cada escola, citava as campeãs de cada ano e me obrigava a passear pela Presidente Vargas para ver as alegorias que entrariam na avenida. Em casa, fazia questão de ver todos os desfiles e teve como grande frustração nunca ter me convencido a acompanhá-lo ao Bola Preta. Era um mangueirense convicto e orgulhoso. Passei anos tentando digerir melhor o carnaval por causa dele.

Este é o meu primeiro carnaval sem o Flávio. Pensei cuidadosamente nas fantasias que pretendo usar. Ontem, fiz minha primeira incursão pelo carnaval carioca (ok, segunda, já que sou assídua frequentadora do Nem Muda Nem Sai de Cima, bloco tijucano a que sinto ter a obrigação moral de comparecer todo ano). Fui de gata, pantera, sei lá o que era aquilo. Choveu. Foi divertido pelas companhias que tive, mas não me senti fazendo parte daquilo. Fomos para a Lapa, mas lá também o carnaval me pareceu um pouco surreal. Resultado? Dormi o sábado inteiro, inclusive meio gripada. Atividades momescas? Nenhuma. Assisti a um DVD e fui ao cinema, sozinha.

Quem sabe amanhã, não é mesmo? Meus amigos em peso irão ao Boitatá. Acho que preciso seguir cada dia de uma vez. Se não chover tem mais chance... Talvez ver os shows gratuitos nos Arcos da Lapa seja uma opção mais realista. Vejamos.

E deixo, aqui, o melhor exemplo musical não-carnavalesco que encontrei para este sábado à noite:

RETALHOS DE CETIM
Benito di Paula

Ensaiei meu samba o ano inteiro,
Comprei surdo e tamborim.
Gastei tudo em fantasia,
Era só o que eu queria.
E ela jurou desfilar pra mim,
Minha escola estava tão bonita.
Era tudo o que eu queria ver,
Em retalhos de cetim.
Eu dormi o ano inteiro,
E ela jurou desfilar pra mim.
Mas chegou o carnaval,
E ela não desfilou,
Eu chorei na avenida, eu chorei.
Não pensei que mentia a cabrocha,que eu tanto amei.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

URGE RECOMEÇAR

Não sei como retomar o blog. Na verdade, não sei como retomar um monte de coisas, mas escrever aqui é algo que não faz sentido adiar mais. Minha vida virou de ponta-cabeça nesse fim/início de ano e, agora, preciso aprender a recomeçar. Não tem sido fácil, mas tampouco tem sido tão difícil quanto cheguei a imaginar que seria. :-)

Minha vida social anda mais movimentada que nunca e, realmente, sou muito grata aos amigos que têm se esforçado diariamente para me fazer seguir em frente. Para que vocês tenham uma ideia, já cantei num videokê de um bar gay (o Sal y Pimenta, na Lapa), fui ao Cachaça Cinema Clube, assisti a vários filmes bacanas no cinema ("Machete", "A rede social", "Biutiful") e no DVD, passei dias imersa na piscina, joguei Imagem & Ação, tomei cerveja por aí, saí para olhar a lua e jogar conversa fora. Isso tem sido muito, mas MUITO bacana MESMO. Além disso, tenho lido que nem louca, porque livros são excelentes companheiros.

Mais complicado tem sido organizar o lado prático da vida, a rotina. Ainda não consegui me acertar com as compras de casa, nem dei conta de arrumar uma penca de coisas, mas já dei cabo de algumas burocracias. Tenho sorte, porque gosto de viver sozinha (acho que ser filha única ajuda bastante nessas horas). Só preciso aprender os macetes, que, sem dúvida, existem. Compras de supermercado? Hortifruti? Estou quase lá. Cadelas? Gata? Ração? Veterinário? Ainda estou engatinhando, mas vislumbro progressos. Agora, repensar meus planos de vida é o pior. Acho, porém, que isso deve vir com tempo, né? Enfim...

Aos que não estiveram comigo nos últimos meses e não fazem ideia do que está se passando, comunico tristemente a morte de meu marido no último dia 13 de janeiro. Flávio (ou MacGyver, para os mais chegados) se foi após um martírio de quase três meses de internação. Embora este não tenha sido o desfecho que desejávamos, creio que tem me ajudado a aceitar melhor a perda de alguém tão jovem e que eu esperava que estivesse ao meu lado por muito mais tempo. Sendo assim, e se é que ainda há o que se trilhar depois desta vida, posso apenas desejar que meu companheiro tenha paz e muita luz em seu caminho.

Repito, portanto, a homenagem que a ele fiz no Facebook e no Orkut:




"Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você"

Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes



Compartilho aqui, nostálgica, uma das músicas que o Flávio escolheu para compor uma fita k7 (lembram disso?) que ele gravou pra mim quando a gente começou a namorar, 12 anos atrás. Acho belíssima.






E, ainda, deixo aqui esta música, que eu nem conhecia, mas que o Flávio usou para se descrever no Orkut durante anos. Como decidi pedir para excluírem o perfil, achei melhor incluí-la neste post-homenagem:







Para concluir:


"There's something just as inevitable as death. And that's life." (Charles Chaplin)



terça-feira, 9 de novembro de 2010

Jazz no topo da favela

Finalmente consegui ir ao jazz no The Maze Inn, o hostel também conhecido como  A Casa do Bob, localizado em plena favela Tavares Bastos. O melhor da noite? Não gastei um centavo para entrar, pois tive a sorte de descobrir que um amigo músico está tocando lá. Encontrei o Leandro (Freixo) num show do grupo Cabuloso (do qual ele faz parte) no Centro de Referência, na Garibaldi. Ele me chamou para vê-lo tocar no The Maze e perguntei se ele não me arranjava dois convites (afinal, a entrada custa salgados R$ 30!).

Convites confirmados, partimos eu e Jaque rumo ao Catete. Para quem não sabe, a Tavares Bastos é uma rua de paralelepídos que sobe, sinuosa, como se fosse uma rua de Santa Teresa, cuja subida começa na Bento Lisboa (Catete). A gente vai passando por casarões fantásticos até não ter mais como seguir adiante e descobrir que está no meio da favela. Estacionei, e, logo, dois meninos se ofereceram para nos levar até a Casa do Bob: muito simpáticos e empolgados com o evento.

Não tivemos problemas para entrar, mas o lugar estava lotado e abafadíssimo. Afinal, sexta-feira fez um calor terrível e o lugar não conta com muitos ventiladores ou janelas. A varanda estava concorridíssima, então, mal conseguimos ver a paisagem deslumbrante que se vê lá de cima. Acho que é uma das vistas mais bonitas que se tem da baía de Guanabara em toda a cidade! Adoraria ter conseguido chegar lá na ponta. :-)

A música é realmente muito boa, mas os músicos praticamente não param de tocar. Isso me pareceu meio cruel, já que o lugar é tão quente. Entretanto, é claro que é ótimo poder contar com música ao vivo de qualidade praticamente todo o tempo. Quase não conseguimos falar com o Leandro, uma pena. Ah! Adorei o terraço do hostel, embora, de lá, não se ouça nem uma nota da música que continua a tocar, firme e forte. Acho, apenas, que faltam lugares para sentar... Ainda que de alvenaria (fica como sugestão).

Agora, problema sério mesmo é a bebida... A água sem gás acabou antes mesmo de a gente chegar. Eles conseguiram repor, mas continuou sem dar vazão e acabou de vez. A água com gás acabou em seguida. Tomei uma das últimas coca zero (como vocês podem notar, não estavávamos na pilha de encher a cara naquele suadouro) e, pelo que entendi, a cerveja estava quente. Sinceramente, a R$ 30 por cabeça, isso é bastante complicado... Mas não chegou a estragar a noite.

O público é bastante diversificado. Há muitos turistas estrangeiros, é claro, mas também cariocas de várias tribos. A mistura é inusitada, e, se estivesse um tiquinho menos cheio e fresco, seria o ambiente perfeito para interagir e fazer novas amizades. Os sofás são confortáveis e as mesas, praticamente coletivas. No fim das contas, um barato. Vale, sem dúvida, uma visita. Pena que esqueci de levar a máquina...

Na falta de foto, fiquem com o mapa de lá


domingo, 19 de setembro de 2010

Agradeço àqueles que mostraram a língua...

E disseram: 33, junto comigo.

Ao som da clássica Canção de Aniversário, de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, que reproduzo abaixo, na voz de Nilo Sérgio:


Adoro fazer aniversário. E adoro, ainda mais, estar rodeada de amigos no dia 18 de setembro. Este ano, tudo parecia colaborar para que a comemoração fosse mais chinfrim, afinal, trabalhei a semana toda, o tempo ameaçou fechar terrivelmente (mas acabou sendo só uma chuvinha de nada, que não poderia mesmo faltar, já que sempre chove no meu aniversário) e ainda tive aula da pós no dia D (sábado). Todos podem imaginar o cansaço e a correria que foi, não? Ah! Acresçam a isso o fato de que, sexta à noite, me despenquei até Jacarepaguá, para o aniversário da Flávia... E a danada ainda inventou de fazer a festa em play alheio, o que me fez gastar umas duas horas em busca do endereço.

Mas, ok, sobrevivi. A aula nem foi ruim, consegui fazer as unhas e estreei um meigo vestido de bolinhas, o que sempre favorece meu humor. Flávio, Nena, meus pais, Marinalva... Todos me ajudaram a receber o pessoal (especialmente minha família, que nunca falta). Sem eles, nada teria dado certo. Teve caldo verde, caldinho de feijão, tapioquinhas doces e salgadas, milho cozido, salsichão, paçoca, jujuba, bolo, brigadeiros e brigadeirão. Diria que, salvo por algumas ausências, compreensíveis ou não, foi tudo perfeito. 

Este post é um agradecimento a todos. :-)

Seguem algumas fotitos da festinha...



 Salgueirinho e Bia, eu e Jaque

Tios Luiz Antonio e Acácia, minha mãe e minha avó Sulinha

 Jaque, Eugênia, eu, Clauber e Marcelo Vital

 Hernán, eu e Germana

 Enaldo e Vanessa

 Flávio, Bicudinha, Bruno e Taty

Flávia e Marcelo, Juliana (de costas) e Márcia, ao fundo


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Último Samba na Praça nos dias 7 e 8/8!

Jogo rápido: estive no show da Anna Pessoa, em pleno chafariz da Saens Peña, nesta sexta-feira. Última oportunidade de conferir o evento Samba na Praça, que tanto comentei aqui. Foi muito bom, apesar de vazio. Infelizmente, rolou um certo atraso por parte da Ambev (que garante a infraestrutura do Otto no evento) e isso fez com que tudo o mais atrasasse. Além disso, não rolou show do Gabriel ou da bateria da Unidos da Tijuca, conforme prometido. O show foi só da Anna Pessoa, com os músicos que costumam acompanhá-la semanalmente no Otto.

Ok, os caras são muito bons, mas tocam jazz. Ou bossa nova... Eventualmente, arriscam um sambinha com um arranjo mais... jazzístico? Enfim, não foi samba. Acho que desvirtuou um pouco a proposta inicial do evento. Por mais que eu goste da cantora, não apostaria nela como atração única de um evento, presumivelmente, de samba... Nem a homenagem à Clara Nunes garantiu o clima. Mas, sim, foi bacana. Foi, sim. Foi um bom programa para encerrar o expediente.

Pelo que entendi, não foram apenas os shows dos dias 24 e 25 de julho que foram cancelados por conta da chuva. O seguinte, com a tal Camille Deslandes, também não aconteceu. E olha que não li nada a respeito disso em lugar algum... Enfim... Que o Otto se anime e a Subprefeitura permita a continuação do evento, ainda que mensalmente. Ou anualmente, que seja!

(Atualizado em 9 de agosto de 2009.)

***

Acabei não vendo o show da Camille Deslandes, no último fim de semana, na Saens Peña. Não deu pé, não pude ir. Então, não sei se foi bom ou ruim. Caso alguém tenha ido, favor registrar aí nos comentários. Foi bom? Foi ruim? O público compareceu? Enfim... Mas a razão deste post não tem nada a ver com isso, na verdade.

Ele visa apenas comunicar que a apresentação do dia 24 e 25 de julho, cancelada por conta da chuva... Lembra? Pois bem, ela foi remarcada para o próximo fim de semana. Ou seja, nos dias 7 e 8 de agosto teremos novamente o Gabriel Cavalcante [da Muda ou meramente Gigi, whatever], com participação especial da cantora Anna Pessoa (com direito a tributo a Clara Nunes) e da bateria da Unidos da Tijuca. Que São Pedro colabore e segure a chuva lá por cima para que essa sequência de eventos se encerre em grande estilo. E tenho dito.

domingo, 26 de julho de 2009

Ontem não teve Samba na Praça

E, pelo que o Gabriel [Cavalcante, da Muda, como queiram] disse, hoje também não ia rolar. O motivo, ao que parece, foi a chuva. Pena. Menos mal para mim, que tenho que trabalhar - bastante! - aqui e ia ficar morrendo de vontade de me despencar para lá. Já estava até fazendo planos para depois da aula da pós, como disse no post anterior. Mas nem fiquei para ver o finzinho do Samba da Ouvidor. Voltei correndo para casa e cá estou, revisando um livro-bomba, morta de sono.

Enfim, é isso. Só fico meio triste por não termos show da Anna Pessoa, que canta pacas. Para vê-la, só indo até o Otto mesmo. Agora, resta aguardar o bom tempo no fim de semana que vem e torcer para que a tal Camille Deslandes esteja à altura dos demais. Sei lá, essa história de samba jazz ainda não me convenceu. Vejamos no que vai dar.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Tijuca: 250 anos de tradição

Há três sextas-feiras, venho batendo ponto no Samba na Praça, evento que traz shows promovidos pelo Otto Bar e Restaurante num palco montado em pleno chafariz da Saens Peña. O projeto faz parte da programação elaborada pela Subprefeitura da Tijuca, em homenagem aos 250 anos do bairro. É realmente genial e, juro, não estou ganhando nada para dizer isso. Acontece que é tão raro vermos ações desse tipo na região que é difícil não nos tornarmos entusiastas. Claro que houve pequenos problemas de organização, mas compreensíveis, dado o ineditismo da iniciativa. Acho que o caminho é esse mesmo: ocupar o espaço público para retomar o controle sobre a nossa cidadania. E a cultura é, talvez, o melhor instrumento para tanto.

A estreia foi no dia 3, com apresentação do grupo Samba da Ouvidor, comandado pelo tijucano Gabriel Cavalcante (ou da Muda). Conhecido pelas rodas quinzenais que vêm revitalizando o Centro Antigo (aos sábados), o grupo contou com a participação especial de Moacyr Luz e apresentou um repertório bastante diversificado, que agradou em cheio ao público. Mesmo com ameaça de chuva – que no fim não passou de umas poucas gotas –, a plateia formada por pessoas de todas as faixas etárias não arredou o pé. Aliás, foi difícil conseguir mesa... E uma senhora à minha frente insistia em manter o guarda-chuva preventivamente aberto. Apesar disso, amei. E imagino que sábado também tenha sido um sucesso.

Já no dia 10, foi a vez do grupo Samba do Trabalhador, também sob a batuta de Gabriel Cavalcante – figurinha fácil que ainda deve se apresentar no dia 24 – e com participação especial de Marquinho Sathan. Desta vez, o sucesso foi absoluto. O início pouco atrasou, a estrutura montada pelo Otto com as barraquinhas da Ambev por pouco não deu conta da demanda. Durante algumas horas, a promoção da cerveja Antarctica (duas por R$ 5) precisou até ser suspensa, mas voltou antes do final. As mesas e cadeiras distribuídas no entorno no chafariz não foram suficientes, o que não chegou a ser um problema, já que muitos preferiam ficar de pé para dançar. Não sei se a chuva chegou a atrapalhar a apresentação de sábado, porém acredito que o grupo tenha conseguido garantir a empolgação.

Sexta-feira passada, dia 17, foi a vez do cantor Chamon comandar a função. Ele cantou vários clássicos do samba e até atacou um My Way numa levada de samba. Interessante. Lá para o fim, a Velha Guarda do Salgueiro subiu ao palco para uma participação especial. Confesso que fiquei um pouco decepcionada. Os sambas de enredo – manjadíssimos – empolgaram o público, mas me pareceu meio fora do conceito de Velha Guarda. Senti falta dos sambas de quadra, que não conheço e gostaria de conhecer. Não sei, pode ser implicância. Talvez o tempo fosse muito curto e, afinal, o palco não tinha muita infraestrutura para receber tantas vozes... A conferir outras vezes.

Pretendo, é claro, comparecer aos shows dos próximos dois fins de semana. Tenho ido sempre às sextas, emendando com a saída do trabalho, mas é bem possível que essa semana experimente ir no sábado. Será a vez, como já disse, de Gabriel Cavalcante voltar ao palco, dessa feita com a cantora Anna Pessoa e a Bateria da Unidos da Tijuca. Para encerrar, nos dias 31 e 1º de agosto, haverá show com Camille Deslandes e banda levando um Samba Jazz Contemporâneo (o que será isso?), com participação da Bateria Sinfonia do Mestre Capoeira e do Cantor Pixulé da Império da Tijuca. Estou curiosa para ver que samba isso vai dar...

Os eventos em comemoração ao aniversário da Tijuca não se restringem ao projeto Samba na Praça. Para ver a programação completa, visite: www.250anostijuca.com.br



quarta-feira, 17 de junho de 2009

4 x Teatro

Tenho andado teatral. Não faz muito tempo, cismei de ver o espetáculo O Estrangeiro, com o Guilherme Leme. O preço era convidativo: R$ 25 (e ainda pago meia por ser estudante!), e gosto do Teatro do Jockey, apesar de não ser perto de casa, pois oferece estacionamento amplo e... gratuito. Confesso que não tinha qualquer familiaridade com o texto de Albert Camus e que meu interesse era puramente visual, porque gostei da foto que ilustrava os incontáveis cartazes em preto e branco que vi pela cidade. Fui ao teatro cheia de medo, achando que talvez não fosse gostar tanto da peça – afinal, esta seria ao vivo e em cores –, e me surpreendi. No dia seguinte mesmo, comecei a pesquisar o preço do livro na Estante Virtual. Assim que eu termine Crime e Castigo, juro que compro e leio (se bem que, ok, talvez baixe). Já está na lista.

Minha incursão seguinte, e igualmente recente, aos palcos cariocas foi meio por acaso. Estávamos com um casal de amigos e não conseguíamos decidir o que fazer. Era fim de semana de Viradão Cultural, mas nada parecia muito promissor naquele domingo à noite. Comer, então, estava fora de cogitação: o estômago já estava forrado graças a um farto almoço, ajantarado, no Berbigão. Por isso, o festival Comida di Buteco também não encheu os nossos olhos, e partimos para Ipanema. Nossa parada? Casa de Cultura Laura Alvim. Para ser franca, pensávamos ir ao cinema. Entretanto, o teatro acabou sendo mais vantajoso por aceitar a carteirinha do Clube do Assinante do Globo. Pagamos R$ 40 ao todo, para nós quatro, e vimos Quando as Máquinas Param. De autoria de Plínio Marcos, a peça retrata a dura realidade de um casal – Nina e Zé – que luta desesperadamente para sobreviver: ela costura para fora, e ele está desempregado. O texto é de 1967 e, infelizmente, continua atual.

No último fim de semana, porém, é que tive a melhor das surpresas. Sabe aqueles programas do qual você não espera grandes coisas e acabam sendo extremamente gratificantes? Fui ao Sesc Tijuca para ver a encenação de É Samba na Veia, É Candeia e me deparei com um grande musical. Boas músicas, boa história, boas tiradas, elenco e músicos de primeira. E tudo isso por meros R$ 4 (o preço normal é R$ 16), porque sou comerciária. O espetáculo venceu o concurso de dramaturgia Seleção Brasil em Cena 2007, foi considerado o Melhor Espetáculo 2008 pelo Júri do JB e foi vencedor do Prêmio Shell 2008 de Melhor Direção Musical. Com direção de André Paes Leme e texto de Eduardo Rieche, fica em cartaz até o dia 28 de junho. De sexta a domingo, às 20h. Assistam, porque vale muitíssimo a pena.

E com isso, chegou o domingo. Onde é que eu fui parar? No teatro, é claro. Pretendia ver o Michel Melamed no Teatro Sesc Ginástico, mas dei com os burros n’água. Os ingressos para Regurgitofagia já estavam esgotados, e uma fila quilométrica se montava para a galera comprar os ingressos para o fim de semana seguinte, quando ele encenará Anti-Dinheiro Grátis (segunda peça da Trilogia Brasileira) – a quem interessar, a terceira, Homemúsica – estará em cartaz no fim de semana seguinte. Para não perder a viagem, acabamos no Teatro Sesi, para ver Elisa Lucinda em Parem de falar mal da rotina. Completamente auto-ajuda, mas até que foi divertido. Se servir para as pessoas repensarem suas vidas, refletirem sobre a validade de suas madeixas alisadas e descoloridas, já está valendo. Continuo não gostando muito de poesia, é verdade. Entretanto, respeito Elisa Lucinda. Ela chamou a fofíssima Vó Maria (que encontrei lá por acaso) ao palco para lhe dar flores, sem que nada fosse previamente combinado. Reparar (eis um verbo fundamental na peça) numa senhora de 98 anos no meio de uma plateia lotada e render-lhe homenagens é algo digno de registro.

domingo, 17 de maio de 2009

Centímetro, o Metro de Conservatória

Estive em Conservatória no último 1° de maio, para aproveitar o feriadão, e descobri que o lugar – atualmente distrito de Valença (RJ) – vai muito além da seresta. Até então, era basicamente essa a minha referência. Sabia, também, que lá era o destino preferido da terceira idade... Uma espécie de paraíso para a velharada. Meus avós eram figurinhas fáceis nas excursões para os hotéis-fazenda da região e, de tanto ouvi-los falar, sempre quis passar um fim de semana por lá.


Na verdade, por mais que isso possa parecer estranho para alguns, adoro seresta. Sou fã de Silvio Caldas, Gilberto Alves, Guilherme de Brito e Nelson Gonçalves, que dão nome a um museu de lá. E sou igualmente fã de Vicente Celestino e Gilda de Abreu, homenageados em outro museu, desde que assisti recentemente ao filme O ébrio em dvd. Infelizmente, não tive tempo de visitar este último, mas isso é até bom: tenho bons motivos para voltar.


Decidi, portanto, ir a Conservatória. Reservei um quarto numa pousadinha mais ou menos central. Como decidi muito em cima, quase não consigo vaga. Sorte que a cidade tem um portal bastante completo na internet. O quarto não era lá essas coisas, mas deu para o gasto. Também, pelo preço... O chato eram umas senhoras de uma excursão de Caxias. Como falavam alto! Na noite de sábado para domingo, então, acho que ninguém conseguiu dormir.


A seresta, em si, na verdade foi meio decepcionante. Impossível entrar à noite no Museu da Seresta e Serenata. É muita gente... E fica tudo muito tumultuado, porque vão todos para a porta aguardar a saída da serenata pelas ruas da cidade. Fazia frio, mas isso não desanimou o público em nada. É um lance meio Cocoon, com velhinhos aparentemente nas últimas, alguns de bengala, caminhando serelepes por entre as ruas de calçamento em pedras pé-de-moleque. Impressionante, na verdade. Talvez haja alguma coisa na água...


O melhor, porém, foi o Cinema Centímetro. Quem me conhece sabe o quanto sou tijucana e, principalmente, a saudade que sinto dos antigos cinemas de rua do bairro. Tanto que criei uma comunidade no orkut chamada Cadê os cinemas da Tijuca?. Não cheguei a conhecer o Metro Tijuca, mas creio que tive boas referências dos meus avós e dos meus pais. Sempre ouvi dizer que era algo monumental, sem paralelo com os dias de hoje.


Em Conservatória, contudo, creio que tive a oportunidade de compreender o saudosismo de todos com relação aos cinemas da Metro, fechados em 1977 (justamente quando nasci). Apaixonado por cinema, o delegado aposentado Ivo Raposo recolheu peças originais do Metro Tijuca e o reconstruiu minuciosamente no quintal de sua casa. Móveis, tapetes, lustres, bilheteria e projetores garantem o charme da sala, de 60 lugares, que exibe sessões curtas, com trechos de desenhos e musicais da Metro, nas noites de sábado. É uma verdadeira viagem no tempo, com direito a pipoca no final.



Na foto de cima, a serenata que percorre as ruas nas noites de
sexta e sábado. Na de baixo, a fachada do Centímetro


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Angu do Gomes no Escravos da Mauá

O ano de 2009 começou, janeiro já passa da metade e só agora resolvi dar as caras por aqui. Perdoem, mas é que andei meio fora de combate, tudo por culpa de uma sinusite infernal. Ainda não estou 100%, mas chegou a hora de movimentar um pouco esse blog. Por isso, gostaria de começar pelo meu último fim de semana, quando venci minha resistência e estive no Largo de São Francisco da Prainha para conferir o Escravos da Mauá.


E lá se vão 16 carnavais...

Em primeiro lugar, explico a história da resistência: não gosto de lugares abarrotados de gente, barulhentos, absurdamente quentes e sujos. E, por todas estas razões, evito ir ao Escravos da Mauá. No entanto, acho que se trata de um acontecimento fantástico – principalmente por sua capacidade de mobilização – e, bem, depois de vários dias de molho, quis dar uma conferida. Além disso, queria ver como se comportaria o Angu do Gomes durante o evento.

Gente! O Angu me surpreendeu. Ok, o estabelecimento ainda precisa de alguns ajustes, especialmente no que diz respeito à bebida. Afinal, o chopp acabou cedo e a cerveja ainda não estava gelada quando cheguei. Entretanto, a comida estava perfeita e diria que foi providencial. O angu estava muito bom, como sempre, e os bolinhos de feijoada salvaram a noite dos amigos paulistas da onipresente Taty. Explico: eles chegaram tarde e não conseguiram experimentar a iguaria que dá nome ao lugar, mas ficaram extremamente felizes em conhecer o Vô Basílio (que não paravam de chamar de Gomes do Angu). Chegaram até a comprar uma carioquíssima pintura do De Paula.


Infelizmente, o som do Escravos da Mauá fica quase inaudível no meio daquele burburinho... Além do mais, a quantidade exagerada de gente e o calor enlouquecedor me fizeram rapidamente procurar outras paragens. Foi graças a isso que descobri um samba que acontecia logo ali na Pedra do Sal, onde uma brisa ainda batia e era possível sentar para tomar uma gelada. Naquele momento foi como se eu encontrasse o paraíso, sem exageros. Quem não conhece esse lugar, não imagina o que está perdendo. É lindo demais!


Claro, porém, que minha alegria foi momentânea. Não demorou muito e aquilo lá também ficou abarrotado de gente, a cerveja foi acabando, o atendimento deixou de existir, o banheiro não deu vazão... Mas aí já era hora de levantar acampamento. Espero que, de fato, a nova Prefeitura se estabeleça naquela região e revitalize o casario e, principalmente, aquela praça. Acho que já é mais do que hora de ocupar aquele espaço de maneira responsável.


***


Eu, realmente, preciso comentar sobre o show do Acorda Bamba que aconteceu na última segunda-feira (dia 12) no Centro Cultural Carioca. Muito bom, mas merece um post à parte. Prometo-o para breve. Ou não... Quem sabe?

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Noel Rosa de geração em geração

Os moradores de Vila Isabel homenageiam seu poeta nos
70 anos de sua morte

Na falta de foto, fiquem com o programa do show...

Pensei em passar o último fim-de-semana descansando, para me recuperar de uma gripe maldita que me pegou em cheio. Começaria já pela sexta-feira, indo para casa dormir. Simples assim. Acontece que, no trabalho, fiz minha visita habitual ao blog Histórias do Brasil, do meu querido professor Luiz Antonio Simas, e me dei conta de que era 4 de maio. Ou seja, há exatos 70 anos morria Noel Rosa. Para quem me conhece, sabe que desde criança sou fascinada pela obra desse sujeito. Aos 18 anos, em pleno ano de vestibular, larguei apostilas e simulados para devorar a biografia escrita por João Máximo e Carlos Didier, “Noel Rosa: uma biografia”. Livro que considero, aliás, um dos melhores que li até hoje.

Passei, então, a procurar as homenagens que fariam, pois 70 anos de morte é uma data importante, não é mesmo? Afinal, a partir do próximo 1º de janeiro, a obra de Noel Rosa cairá em domínio público e isso merece ser celebrado. Acontece que os únicos eventos de que ouvi falar foram os Escravos da Mauá (sempre com aquela história de “não divulguem” e blá-blá-blá), meio longe para quem estava gastando lenços e mais lenços de papel, e um show em Vila Isabel. E esta foi minha escolha por três motivos: de graça, perto de casa e com um time de primeira (Nilze Carvalho, Marcos Sacramento, Cristina Buarque e Roberto Silva, para citar apenas os cantores).

Não me arrependi. Graças à pouca divulgação, o evento não ficou insuportavelmente lotado. Foi um típico evento de bairro, com as pessoas andando despreocupadas pelo Boulevard 28 de setembro, cujo trânsito ficou fechado até meia-noite. A localização do palco foi privilegiada, perto de vários bares e de frente para o tradicional Petisco da Vila. Mesinhas e cadeiras ocuparam metade da rua, a outra metade ficou livre para o pessoal acompanhar o show de pé. Noite agradabilíssima. Acompanhem só o programa:

1) Nilze Carvalho
- Eu vou pra Vila
- Conversa de botequim
- Feitio de oração
- Com que roupa?

2) Marcos Sacramento
- Só pode ser você
- Mulato bamba
- Meu barracão
- Triste cuíca

3) Cristina Buarque
- O x do problema
- Cem mil réis / Quem ri melhor
- Julieta
- Três apitos

4) Roberto Silva
- Fita amarela
- Dama do cabaré
- Palpite infeliz
- Feitiço da Vila

5) Encerramento (Todos)
- O orvalho vem caindo / Até amanhã

O bis eu esqueci... Minha memória não é lá das melhores, né!? Mas, saquem só os músicos: Henrique Cazes – cavaquinho e direção musical; Luis Filipe de Lima – violão; Itamar Assiere – piano; Dirceu Leite – sopros; Beto Cazes e Paulino Dias – percussão. Aplaudidíssimos, claro. Exceto no momento em que Henrique Cazes desandou a elogiar o vereador Paulo Cerri. Desnecessário, eu acho. Bem, até entendo o agradecimento, uma vez que foi ele o responsável pela homenagem... Mas a babação de ovo a meu ver foi excessiva. E as vaias, portanto, merecidas.

De lá, eu e Flávio fomos beber no Vila de Noel com os amigos que encontramos pelo caminho. Várias Bohemias depois, vimos o trânsito voltar a circular normalmente. Minha gripe, é claro, piorou consideravelmente e fomos embora. Só não consigo entender como é que as pessoas podem perder eventos como esse, de qualidade, baratos e super tranqüilos. Como a senhora que encontrei no caixa do banco Santander e me perguntou se eu também estava indo ao bingo. Constrangida, bastante nervosa, disse-me que havia acabado de perder R$ 1.000 e que não sabia o que iria fazer. Estava ali para ver se sacava algum dinheiro e voltava lá, para tentar recuperar alguma coisa. Me deu uma tristeza... Minha vontade foi arrastá-la comigo pela rua, para comer uma tapioca e tomar umas cervejas até o show começar. Mas, acho que seria inútil... Não é mesmo?

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Justa homenagem a Maria Margarida

PARA VER AS MENINAS

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim

Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído

Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito


Grande Paulinho da Viola! Já se passaram dois meses desde que escrevi neste blog. Sei que muitos devem achar que eu cansei, que perdi o tesão de escrever... Mas não é verdade. Eu adoro isso aqui. Meu silêncio também não é devido à falta de tempo. Eis uma coisa que não me falta... Mas, poxa, não vão pensando que eu sou uma ociosa, hein!? O lance é que eu descobri que o tempo é algo bastante maleável. Sempre dá para arranjar uns minutinhos aqui, outros ali.

Mas deixe eu parar com esses preâmbulos... Minha ausência nesses dois meses deve-se, afinal, a um fato bem triste. No dia 6 de setembro eu escrevi meu último post esforçando-me por falar de coisas boas. Entretanto, a realidade era que aquela tinha sido uma das poucas noites que pude passar em casa, depois de dois dias acompanhando minha avó no hospital. Meus pais tinham acabado de sair, naquele momento, para saber o que estava acontecendo com ela, tudo indicava que ela havia piorado. Não quis escrever sobre o assunto no dia e realmente, se o faço agora, é porque sinto a necessidade de me explicar.

No feriado de 7 de setembro, uma quinta-feira, perdi minha avó. Uma delas, é fato. Porque a outra ainda está por aí, lindinha e toda fofa. Mas, ultimamente, era a Maria Margarida que era a mais próxima. Morava pertinho, topava qualquer parada, minha companheira de viagens, de chope e até de pilates! Se vocês pensam que avós têm a cara da Dona Benta, seja a antiga (Zilka Salaberry) ou a atual (Suely Franco)... Acreditem, apesar dos cabelos brancos, minha avó não tinha nada a ver com esse estereótipo de vovó. Era classuda, bonita, moderna, charmosa e, pasmem, aos 76 anos, parecia uns dez anos menos. Ou seja, foi uma morte inesperada. E, bem, daí o meu silêncio.

Então, que fique aqui registrada minha justa homenagem a uma fã incondicional de Frank Sinatra. E que este seja o marco da retomada deste espaço. Tenho tantas coisas para comentar, fui a tantos lugares interessantes nesses últimos meses... Lembrem-me de falar sobre minha marajó renascida das cinzas, sobre Aracaju, Riachão do Dantas e seu bode (é sério!), sobre a pizzaria do Chico, os vários filmes a que assisti e, ora, tantas outras coisas.


Maria Margarida Meira
(30/08/30 - 07/09/06)


SERENADE IN BLUE

When I hear that serenade in blue

I'm somewhere in another world
Alone with you.
Sharing all the joys we use to know
Many moons, ago.

Once again your face comes back to me.
Just like the theme of some forgotten melodie.
In the album of my memory
Serenade, in Blue

It seems like only yesterday
A small cafe, a crowded floor
And as we danced the night away
I hear you say forever more
And then the song became a sigh
Forever more became goodbye;
But you remained in my heart.

So tell me darling is there still a spark?
Or only lonely ashes of the flame, we knew.
Should I go on whisteling in the dark?
Serenade in Blue



quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Sobre quarta passada

A chuva cai
(Argemiro/Casquinha)

A chuva cai lá fora
você vai se molhar
já lhe pedi não vá embora
espere o tempo melhorar
até a própria natureza
está pedindo pra você ficar.
atenda o apelo
desse alguém que lhe adora
espere um pouco
não vá agora
você ficando vai fazer feliz um coração
que está cansado de sofrer desilusão
Espero que a natureza
faça você mudar de opinião


Pois é, fiquei em casa. Quarta-feira. Não fui ao cinema, assim como não fui ao trabalho ou à faculdade. Véspera de feriadão. Muito frio. E essa chuvinha chata que não pára... Resolvi escutar o CD do saudoso Argemiro e dar uma atenção especial a este café. Já era tempo, não?

Começarei por minha última ida ao cinema, na quarta passada (dia 30 de agosto). Era aniversário da Ana Paula e ela tinha chamado para ir à Drinkeria Maldita, ali em Botafogo. Achei que não teria pique para ir depois da aula e resolvi ir cedo para lá pois a Ana chegaria às 19h30. Mas não queria perder meu cineminha, então passei no Arteplex para ver quais as opções. Eram exatas 18h quando cheguei. Bem a tempo para o projeto “Curta Petrobras às 6”. Para quem não sabe, as sessões (diárias, com 1h de duração) são gratuitas e costumam reunir três curtas-metragens sob um tema específico. A que eu assisti era sobre obsessão e trazia os seguintes filmes: “Ímpar par”; “Rapsódia para um homem comum”; e “Entre paredes”. Todos são ótimos, mas fiquei realmente apaixonada pela poesia do primeiro. É uma fábula bonitinha mesmo. Vale conferir! Esta programação fica em cartaz até o dia 12 de setembro, portanto apressem-se! Segue a ficha técnica dos filmes:


Esmir Filho
SP_Ficção_18’_Cor_2005
Em meio a pés que vão e vêm, cores de cordas de violino, o sapateiro de um pequeno vilarejo procura o par perfeito, em uma fábula de amor e sapatos.

(Legenda da Foto: O artesão de sapatos (Alvise Camozzi) em meio a suas criações personalizadas).


RAPSÓDIA PARA UM HOMEM COMUM
Camilo Cavalcante
CE_Ficção_27’_Cor_2005
Epaminondas é um funcionário público de classe média baixa no início da década de 70. Um homem comum, pai de família, que não agüenta mais a rotina banal a que está submetido. Nesse contexto, surge um amor sublime, incomensurável e obsessivo que inunda o nosso personagem, mudando toda sua perspectiva de vida.


ENTRE PAREDES
Eric Laurence
CE_Ficção_15’_Cor_2004
Possessividade, desejo, paranóia e culpa são sentimentos obscuros numa relação amorosa, onde o medo da perda e a desconfiança podem destruir a vida ou levar à loucura.


Depois do cinema, consegui dar um pulinho lá na Drinkeria. Depois de uma piña colada e um nutela ice drink (segundo o cardápio, Rum Oro, Cointreau, Nutella, em shot com borda de chocolate), ainda fui para minha aula. Bem que eu tentei companhia para esticar depois, porque tinha um aniversário no Plebeu. Mas ninguém topou. Pena.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

O Beco do Rato faz lembrar uma Lapa que já não há

Quem vê o bar assim vazio não dá nada pelo lugar...

Quero aproveitar o post da minha amiga Julie (lá no blog dela, o Circuito Alternativo... Ou seria Agenda Cultural? Agora fiquei na dúvida!) para falar também do Beco do Rato. Para quem não conhece, trata-se de um botequim (pé-sujíssimo) que faz lembrar uma Lapa que já não existe mais. Afinal, em tempos de casas chiquérrimas, altíssimas produções e bares da moda, quase não sobra espaço para o meu, o seu, o nosso bom e velho boteco.

Agradeço, aqui, aos meus amigos do PSTU, pois foram eles que me apresentaram o lugar quando a sede do partido foi parar ali nas imediações. Da primeira vez, estive lá de passagem. Tinha um outro compromisso em outro lugar. Mas guardei na lembrança, esperando poder combinar de novo, levando os amigos a tiracolo. Foi o que fiz na última sexta-feira, assim que a Eugênia (aliás, por favor, não divulga ainda na Agenda não!!!) comentou que tava querendo conhecer o lugar. Por isso, quando li o que a Julie escreveu, tive certeza de que tinha acertado na mosca (ou seria no rato?).

O bar fica na rua Morais e Vale 5, bem na esquina com a Joaquim Silva. Mas, atenção! O pessoal teve dificuldade em encontrar, porque não é no trecho da Joaquim Silva que é paralelo à rua da Lapa e, sim, no que corta a própria. Ou seja, indo em direção à Glória pela rua da Lapa, passou o Ernesto, é só virar na primeira esquerda. Não tem erro! O samba rola toda sexta-feira (com o grupo Imorais e Valem, assim batizado em alusão ao nome da rua...). Não há cobrança de couvert, mas como lembrou a Ju, é bom chegar cedo!

Estou louca para conferir os demais eventos culturais que acontecem por lá. Ao que parece, toda quinta-feira tem um cineclube seguido por uma roda de choro. Encontrei muita gente conhecida por lá... Gente com quem eu costumava esbarrar pelas rodas da cidade. Muitos estão batendo ponto no Beco do Rato agora. Até porque a cerveja é estúpida... E farta. Pena que faltam copos de vidro para todos! Mas tem para todos os gostos (da Cintra à Original, passando pela Bohemia). Além disso, em termos de Lapa, tem um bom preço (R$ 3 / R$ 3,50). Outra coisa: a comida não é ruim (nem muito cara). Só demora pacas. E, bem, tem o banheiro... Meninas, é bom levar papel...

PS: A foto eu tirei lá do site Lá na Lapa, tá? Se procurarem pelo Beco do Rato, verão que ele já está lá.

terça-feira, 30 de agosto de 2005

As pessoas são para o que nascem?


Capa do CD

Não tenho ido ao cinema, daí o “silêncio” deste blog nos últimos tempos. Vejo os filmes entrarem e saírem de cartaz, e eu sem muita disposição para assisti-los. Andei, inclusive, sem vontade de escrever e, por isso, acabei não comentando nada sobre o filme “A pessoa é para o que nasce”, que foi o último a que assisti no cinema. Perdão, Maria. Perdão, Regina. Perdão, Conceição. O documentário sobre as três ceguinhas de Campina Grande é obrigatório.

Fui ao cinema um tanto desconfiada, confesso. Em tempos de “politicamente correto”, implicava com a denominação ceguinhas. Afinal, por mais carinhoso que seja, um diminutivo é sempre um diminutivo. E pode ser bastante depreciativo. Além do mais, há toda uma pressão social que faz com que as pessoas sintam-se bastante desconfortáveis e não saibam qual a melhor maneira de referir-se àqueles que não enxergam. Acabam chamando-os de qualquer outra coisa, menos cegos. Alegam por aí que este é um termo pejorativo... Será mesmo? Deficiente visual não é pior?

Enfim, não pretendo me prolongar nesse assunto. O fato é que me incomodava um pouco o conformismo expresso no próprio título. E não conseguia entender o que fazia com que as pessoas se encantassem com aquelas senhoras. Afinal, outro dia mesmo, passando pela porta de um supermercado na Tijuca, vi uma senhora tão pobre, cega e desgrenhada quanto as 3 ceguinhas. Ela estava com seu pandeiro e cantava: ninguém parou para dar-lhe um centavo que fosse. Aposto mesmo que gostariam que ela estivesse bem longe dali e, de preferência, nem existisse. Será que é por que ela não está no cinema?

Debates sociológicos à parte, saí do cinema de alma lavada. As três ceguinhas são de uma espontaneidade capaz de calar a boca do mais fervoroso dos críticos. Com declarações por vezes desconcertantes, chega a ser divertido vê-las interagindo com o diretor. Aliás, Roberto Berliner está de parabéns, pois conseguiu abordar de forma poética um tema tão árido. Gostei tanto do filme que acabei comprando o CD, anunciado por elas enquanto descem os créditos. Boa aquisição: o primeiro é, praticamente, o próprio filme, sem imagens; já o segundo, traz releituras do repertório cantado por elas.

Transcrevo, a seguir, o texto de apresentação dos cds, escrito por Braulio Tavares:

A música é para o que nasce

Nasci e fui criado em Campina Grande, e as três ceguinhas que cantavam coco fizeram parte da minha paisagem durante a vida inteira, com seu trinado de vozes e seus ganzás, desgrenhadas como as feiticeiras de MacBeth, mas nunca ameaçadoras. Vozes tristes, maltratadas, mas com aquela pungência de quem não tem mais o que perder e qualquer coisa que ganhar é lucro.

O encontro das irmãs com Roberto Berliner, que resultou em filme e CD, é, para alguns, uma prova de que a nossa vida é regida pelo Acaso. Mas, quando Lia procura explicar a atitude das três diante da vida, produz a frase que acabou se tornando o título do filme, e que exprime a dificuldade em conciliar o sonho individual e a predestinação coletiva. Cada um nasce para preencher um destino que o espera. Tudo indica conformismo, resignação, e o fatalismo “maktub” de uma cultura que crê no Livro do Destino. Os que em vez de Acaso acreditam no Destino vêem justamente nesta alta improbabilidade uma prova de que aquele encontro “tinha de acontecer”, “estava escrito”.

O Som da Rua buscado por Roberto Berliner é este murmúrio constante que escutamos nas esquinas de qualquer cidade brasileira. Pessoas que cantam canções, que improvisam versos, que recitam, que tocam instrumentos toscos na calçada, com microfones primitivos presos ao pescoço, e amplificadores de segunda mão equilibrados em cima de um tamborete.

Por um lado, é a continuação de uma atividade típica de uma época sem rádio e TV, na qual só existia um tipo de música: a música ao vivo. Por outro lado, o rádio e a TV acabaram preenchendo com sua música incessante o dia-a-dia destas pessoas, multiplicando muitas vezes seu repertório, imprimindo em sua memória os sucessos passageiros e os clássicos que nunca deixam de ser tocados.

quarta-feira, 27 de abril de 2005

Sobre o show de Paulinho da Viola

Não gosto de shows na praia. Geralmente, o som é ruim, tem gente demais, cerveja de menos, conforto nenhum. Quando se trata de Copacabana, então, pior ainda. E se o evento contar com alguma “celebridade”, melhor nem sair de casa. Como ficou provado no dia do show do Lenny Kravitz, quando o Rio sofreu um colapso no trânsito.

Entretanto, um show na praia de Icaraí sempre tem chances de ser algo imperdível. Foi assim, anos atrás, com o show do Madredeus. E foi assim, de novo, com o show de Paulinho da Viola, no dia 23 de abril. O evento fez parte da programação da prefeitura de Niterói, celebrando o Dia Nacional do Choro (também dia de São Jorge). Neste dia se comemora o aniversário de Alfredo da Rocha Viana, nosso Pixinguinha, um dos maiores nomes do choro no Brasil. É dia de música, muita música. Até porque, em parte, é graças a ela que “a gente vai levando”, como já dizia Chico e Caetano.

O show do Paulinho da Viola aconteceu debaixo de um aguaceiro histórico... Algo assim inesquecível! Com Eduardo Neves na flauta, Christóvão Bastos ao teclado e um menino chamado João Rabello no violão. Fora a galera da cozinha, claro. Maravilhoso demais. Claro que o início foi complicado, por conta das pessoas que insistiam em ficar sentadas, julgando-se donas da areia e reclamando dos que preferiam ficar de pé. Só porque elas conseguiram assistir sentadas ao show de abertura, do grupo Unha de Gato, não significava que permaneceriam confortavelmente instaladas durante a apresentação de Paulinho. Tinha muito mais gente! E, além disso, uma coisa é ouvir música instrumental sentado... Outra, bem diferente, é ouvir samba.

Mas a chuva – o temporal, melhor dizendo – chegou para resolver a questão: obrigou a galera a "levantar o traseiro" (citando Lula). Alguns foram embora, mas a platéia continuou lotada. Todos de pé, cantando e dançando (na medida do possível), partidários do ditado que diz que “quem está na chuva é pra se molhar”. E põe molhar nisso... Minha roupa não secou até hoje.

segunda-feira, 25 de abril de 2005

Uma orgia gastronômica e musical

Véspera de São Jorge, sexta-feira. Ao sair do trabalho, ando até o estacionamento. Vou buscar o carro para ir a uma roda de choro. No caminho, vejo os preparativos para a festa em homenagem ao santo. A rua Alcides Figueiredo, onde fica a igreja, tem um cheiro maravilhoso de cocada no ar (pena não poder reproduzi-lo aqui). Paro para comprar bolinhos de aipim fritos na hora. E, claro, paro para comprar cocada.

Minha vontade é ficar por ali, sentindo aquele cheiro açucarado. Mas resisto bravamente e sigo em direção ao estacionamento. Bolinhos e cocadas embrulhados para viagem. Meu carro fica impregnado pelo cheiro. Vou para Icaraí, quero ver o choro na praça. Afinal, dia 23 de abril também é o Dia Nacional do Choro, quando se comemora o aniversário de Pixinguinha.

Chego à esquina de Moreira César com Ary Parreiras: a música já havia começado. O comportado público niteroiense assiste ao show sentado nas cadeiras de plástico disponibilizadas pela prefeitura. Consigo um lugar e, como se estivesse em transe, desembrulho meu pacote ao som de Pixinguinha e Jacob do Bandolim. Não sobrou nada. Só lembro vagamente de pensar que Niterói talvez seja o paraíso.

domingo, 30 de janeiro de 2005

Uma certa nostalgia

Ultimamente, venho pensando em como é difícil observar que as pessoas que nos rodeiam, justamente as mais queridas, da nossa família, estão envelhecendo. A conseqüência - natural, mas nem por isso menos trágica - é que elas vão morrer e vamos, aos poucos, perder nossas referências sociais. Hoje, elas estão aqui. Amanhã ou depois, talvez não estejam mais. É algo inevitável e que nos dá, por vezes, uma incrível sensação de impotência.

É pena, mas esse é um assunto sobre o qual não podemos falar com qualquer um, sob pena de ouvir aqueles velhos chavões: "faz parte da vida", "é assim mesmo", "não tem jeito"... De um sábio conformismo, admito. Sábio, porque, em face ao inevitável, o melhor talvez seja mesmo aceitar e pronto. Mas esse é um conformismo bastante incômodo, que não resolve nada. Na verdade, a pessoa vai continuar triste, a saudade vai bater do mesmo jeito... Ora, por que temos tanta dificuldade em lidar com essa história de morte?

Tenho pensado no meu avô (que já se foi) e, por tabela, no meu pai, na minha mãe, em todos os que ainda estão por aqui e, puxa, como eu queria que não se fossem jamais! Não se trata nem de eternidade, ou coisa parecida, o que eu gostaria era de saber quanto tempo terei com cada um, para poder aproveitar ao máximo. Não seria fantástico? Bem mais seguro, com certeza... Outra coisa que me deixa bem triste é pensar em que coisas passadas e que não vão acontecer de novo. Fotografias ajudam a lembrar, é verdade. Mas eu juro que ficaria bem mais satisfeita de voltar ao passado, observar tudo ali, in loco. Mas nem precisaria ser algo presencial. A vida podia ser, assim, uma espécie de dvd. A gente escolhe a cena a que deseja assistir. Imagina a quantidade de coisas que poderíamos lembrar, repensar, entender...

Entretanto, estamos restritos às lembranças que nossa tecnologia permite. E, talvez por medo, seguimos tratando tão mal nossos velhos... Dói perceber que a jornada deles está chegando ao fim. Dói saber que aquele futuro ali é também o nosso. E dói demais lembrar que, não faz muito tempo, eles eram jovens como a gente, tinham boa memória, andavam sem dificuldade... Caramba, como isso tudo é difícil!!! No fundo, Nelson Cavaquinho é que tinha razão ao cantar:

Sei que amanhã quando eu morrer,
os meus amigos vão dizer
que eu tinha um bom coração.
Alguns até hão de chorar
e querer me homenagear
fazendo de ouro, um violão

Mas depois que o tempo passar
sei que ninguém vai se lembrar
que eu fui embora.
Por isso é que eu penso assim:
se alguém quiser fazer por mim,
que faça agora.

(...)

(Quando eu me chamar saudade, Nelson Cavaquinho)


domingo, 12 de dezembro de 2004

Do porquê disso tudo:

Não criei este blogue para ser um diário on-line. Aliás, justamente por tentar escapar disso, demorei tanto a ter um espaço só meu. Antes, procurei acompanhar a trajetória de alguns amigos blogueiros e confesso ter ficado muito decepcionada com a maioria. Só depois de ver algumas experiências bem-sucedidas, foi que tomei coragem. Afinal, sou de um tempo em que diário ainda era coisa íntima, trancado a chave, guardado debaixo do travesseiro... E, além do mais, imagino que não tenha ninguém assim tão interessado na minha vida pessoal.

Esta é, portanto, a primeira e última vez em que falo tanto de mim. Claro que EU estarei presente em tudo que escrever por aqui, mas não pretendo me transformar no meu assunto principal. Quero que este blogue funcione como um café, onde as pessoas entram, sentam, ou ficam de pé no balcão, degustam uma bebida qualquer, um ou outro aperitivo, conversam, lêem o jornal e seguem adiante. Sempre tive uma certa simpatia por ambientes assim.

O nome CAFÉ ZURRAPA tem franca inspiração na música de Ary Barrozo - "Camisa Amarela" - e sua escolha tem a ver com a estranheza que a palavra zurrapa sempre me causou. Conheço a música desde criança e levei anos para descobrir o real significado desse termo... Engraçado como, mesmo sem saber o sentido exato (a terminologia dicionaresca, por assim dizer), sempre entendi ao que Ary Barrozo se referia com um café zurrapa. E você?

Bem, é isso. Por ora, fico por aqui.

Puxe uma cadeira. Sinta-se em casa!

Até mais ver...