Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de março de 2012

As manias de Dona Gatinha

Minha gata é velha. Era da minha avó, que adorava gatos e que a deixou de herança para o Flávio, que foi adotado por ela quando minha avó morreu. Ela é de 98 ou 99, não tenho certeza, e apareceu aqui ainda filhote, arredia que só. Flávio morreu, e a Gatinha não teve outro remédio que não me adotar. Me faz companhia quando estou em casa, resmunga por tudo (e eu resmungo de volta, claro). É uma faminta com TOC, pois o pote de comida precisa estar sempre cheio. E a comida deve ser constantemente sacudida. Além disso, ela exige plateia para comer. Um porre, mas tenho visto que isso é normal. Gatos são assim e, assim como nós, suas manias não melhoram com o tempo. Pioram, e muito. 

Ontem, percebi que minha gata, além de velha, é burra. Porque, ao sentir-se acuada por dois cachorrões que passavam pela rua, ela - que estava no jardim, protegida pelas grades do portão - correu na direção deles. Quase virou patê de gato na minha frente. Ninguém me contou: eu vi. E, sinceramente, não poderia culpar os cachorros caso conseguissem o intento de mordê-la. Ainda que fosse brincadeira, como sugeriu a dona deles... Ok, sei que ela estava estressada com a presença do pintor velho e surdo que está trabalhando aqui em casa, mas não consigo compreender o instinto suicida dessa gata doida. Penso que talvez seja alzheimer. Gatos também têm isso?

Creio que, com o passar dos anos, ela vem esquecendo os princípios básicos de sobrevivência... Isso, aliás, explicaria as brigas que ela vem tendo na rua com os gatos da vizinhança. Os mesmos gatos que, se invadirem minha casa para roubar a comida dela, ela é incapaz de se mexer para impedir. Vá entender uma coisa dessas... Na rua, ela é uma fera e atualmente exibe no lombo dois ferimentos de batalha. Ah! E antes que me perguntem... Sim, ela é castrada. E, não, não costumava brigar pela rua... Ah, se minha avó visse isso... Ficaria preocupadíssima!

Hoje, novamente, ela me deu provas consistentes de sua crescente inaptidão. É o seguinte: o já mencionado pintor velho e surdo tirou um banco velho do lugar. Este banco ficava na frente da casa, debaixo da janela por onde Dona Gatinha costuma sair para passear na rua. Ela sai sem problemas, mesmo sem o banco; o problema é a volta. Lady Cat, esta frajolinha anciã que está aqui do meu lado encarando a estante (como de costume) não tem mais segurança para dar grandes saltos (apesar de se meter em brigas na rua, note-se mais uma vez). Então, como ontem ela resgungomiou pra cacete antes de pular para a janela, resolvi facilitar o acesso hoje. Antes, encorajei-a a simplesmente pular como ontem. Não rolou. Por isso, saí, peguei uma cadeira e botei embaixo da janela, exatamente onde costumava ficar o banco. Ela olhou, cheirou, resmungomiou infinitamente.... E nada.

Saí novamente, ela fugiu de mim. Voltei, busquei ração e saí feito uma idiota pela rua tentando convencê-la de que sou uma pessoa legal e não estava tentando matá-la. Levou tempo. Isso porque sou eu que a alimento todos os dias, escovo o pelo dela, enfim sou mucama desta gata maluca. Mas, bem, como eu já disse lá em cima, parece que isso é assim mesmo, né? Gatos... ;-) 



Tá olhando o quê? Vai encarar?

Vem Gatinha, pode entrar...



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Qualquer semelhança é mera coincidência?

Estava eu no McCafé, tomando um expresso com o pessoal do trabalho, quando engoli em seco e fiquei muda: por alguns instantes, tive certeza de que meu tio Marinaldo caminhava em minha direção. Diante daquela visão do além, pensei: "Porra, isso lá é hora de ver defunto?" Fiquei pensando: "Bem, vai ver que ele tem algum recado pra mandar... Mas por que eu, cara? Por quê?" Eu era nova no trabalho, não conhecia o pessoal direito e fiquei imaginando o que eles iam achar daquilo...

Como não consegui disfarçar meu embaraço, saí apontando o sujeito para todos os meus colegas, torcendo para que eles também o vissem. Eu dizia: "Olha lá, é igual ao meu tio Marinaldo!", como se eles soubessem quem havia sido o Marinaldo. Então, me dei conta de que era apenas um sósia bizarramente parecido com meu tio. Afinal, todos o viram (embora, obviamente, não tenham notado qualquer semelhança). Eu o encarava, ele me encarava de volta. "Esse cara não me é estranho!", pensava. Mas achava que provavelmente era porque ele se parecia com o Marinaldo.

Fiquei tão impressionada com a semelhança que um colega até se dispôs a "posar" para uma foto em que o dito-cujo aparecesse ao fundo. Eu precisava mostrar aquilo para minha tia e minha prima, respectivamente viúva e filha do Marinaldo! Pelo menos, para ter certeza de que a tal semelhança existia mesmo, não era coisa da minha cabeça. E não era, porque elas também ficaram boquiabertas.

Acontece que passei a esbarrar com o Sósia vez ou outra no McCafé e a coisa perdeu um pouco a graça por um tempo... Até o dia em que o vi nas proximidades da minha casa, meses depois, caminhando com sacolas de supermercado em plena Conde de Bonfim. Isso, confesso, me deu um certo medo. Como assim, o Sósia do Marinaldo era meu vizinho? Será que eu o conhecia dali, afinal? Fiquei realmente confusa.

Passei um bom tempo sem vê-lo... Tanto que já até havia esquecido essa história. Nem sinal dele no McCafé nem nas ruas da Tijuca. Nada. Foi num domingo à noite, quando fui com minha amiga Juliana visitar o Cotidiano, bar que abriu onde antes outrora funcionava o Gratidão, um pé-imundíssimo que costumava frequentar com Clauber e afins.

Pertinho de casa, na esquina da rua em que mora meu amigo Felipe. E, como sempre que ia ao Gratidão tentava convencê-lo a vir me encontrar (coisa que ele NUNCA fez, diga-se de passagem), resolvi manter a tradição e chamá-lo para vir à versão limpíssima que se instalou no lugar. Obviamente, ele não veio, alegou estar já na cama, numa ressaca monumental.

Talvez porque eu tenha respondido debochadamente, desdenhando de sua enxaqueca alcóolica, Felipe pediu aos pais, que iam descer para passear com o cachorro, para falar comigo no bar. Pois bem, fui abordada pela mãe dele, sorri, disse que entendia, que estava só botando pilha no filho dela, que era um amigo desnaturado, ela concordou que era um absurdo ele NUNCA ter ido lá me encontrar... Nisso, vi o cachorro fofo deles e, pasmem, dei de cara com o Sósia. E, putz, ele era o pai do Felipe! Mas fiquei quieta. Por um instante, duvidei de meus olhos. E se não fosse ele o Sósia do McCafé?

Mandei um torpedo pro Felipe dizendo que precisava contar uma história bizarra envolvendo os pais dele, que era para ele me procurar... Aliás, nossa amizade é cheia de coinciências bizarras que não vêm ao caso agora... Depois de receber o torpedo, lógico que ele me prontamente me procurou no MSN. E contei tudo, mandei a foto que fiz no McCafé... Era realmente o pai dele. E, depois que ele viu umas fotos do Marinaldo, até ele ficou bolado.

Tá achando que isso tudo é exagero? Invenção minha? Pois, tire você suas próprias conclusões... Observe atentamente as fotos a seguir:

O Sósia (ou Álvaro) é o que aparece atrás da cara de bobo do Léo,
que gentilmente posou para a foto e, sem o qual, esta história não teria boa parte da graça.

O famoso Marinaldo Guimarães, meu falecido tio.

E aí? São ou não parecidos? :-)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

URGE RECOMEÇAR

Não sei como retomar o blog. Na verdade, não sei como retomar um monte de coisas, mas escrever aqui é algo que não faz sentido adiar mais. Minha vida virou de ponta-cabeça nesse fim/início de ano e, agora, preciso aprender a recomeçar. Não tem sido fácil, mas tampouco tem sido tão difícil quanto cheguei a imaginar que seria. :-)

Minha vida social anda mais movimentada que nunca e, realmente, sou muito grata aos amigos que têm se esforçado diariamente para me fazer seguir em frente. Para que vocês tenham uma ideia, já cantei num videokê de um bar gay (o Sal y Pimenta, na Lapa), fui ao Cachaça Cinema Clube, assisti a vários filmes bacanas no cinema ("Machete", "A rede social", "Biutiful") e no DVD, passei dias imersa na piscina, joguei Imagem & Ação, tomei cerveja por aí, saí para olhar a lua e jogar conversa fora. Isso tem sido muito, mas MUITO bacana MESMO. Além disso, tenho lido que nem louca, porque livros são excelentes companheiros.

Mais complicado tem sido organizar o lado prático da vida, a rotina. Ainda não consegui me acertar com as compras de casa, nem dei conta de arrumar uma penca de coisas, mas já dei cabo de algumas burocracias. Tenho sorte, porque gosto de viver sozinha (acho que ser filha única ajuda bastante nessas horas). Só preciso aprender os macetes, que, sem dúvida, existem. Compras de supermercado? Hortifruti? Estou quase lá. Cadelas? Gata? Ração? Veterinário? Ainda estou engatinhando, mas vislumbro progressos. Agora, repensar meus planos de vida é o pior. Acho, porém, que isso deve vir com tempo, né? Enfim...

Aos que não estiveram comigo nos últimos meses e não fazem ideia do que está se passando, comunico tristemente a morte de meu marido no último dia 13 de janeiro. Flávio (ou MacGyver, para os mais chegados) se foi após um martírio de quase três meses de internação. Embora este não tenha sido o desfecho que desejávamos, creio que tem me ajudado a aceitar melhor a perda de alguém tão jovem e que eu esperava que estivesse ao meu lado por muito mais tempo. Sendo assim, e se é que ainda há o que se trilhar depois desta vida, posso apenas desejar que meu companheiro tenha paz e muita luz em seu caminho.

Repito, portanto, a homenagem que a ele fiz no Facebook e no Orkut:




"Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você"

Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes



Compartilho aqui, nostálgica, uma das músicas que o Flávio escolheu para compor uma fita k7 (lembram disso?) que ele gravou pra mim quando a gente começou a namorar, 12 anos atrás. Acho belíssima.






E, ainda, deixo aqui esta música, que eu nem conhecia, mas que o Flávio usou para se descrever no Orkut durante anos. Como decidi pedir para excluírem o perfil, achei melhor incluí-la neste post-homenagem:







Para concluir:


"There's something just as inevitable as death. And that's life." (Charles Chaplin)



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Inventário de presentes

Este ano, ganhei diversos bons presentes que gostaria de compartilhar com todos. Afinal, tá certo que o que vale é a presença e tal, mas presente é bom, sim. Ainda mais, presente bacana. Ou não? Ok, estou morrendo de tédio, em casa, com essas pernas enfaixadas (preparem-se que, daqui a pouco, começo a falar sobre os filmes a que tenho assistido! ;-P) e não sei mais o que inventar. Estudo, leio, vejo filmes, escrevo, jogo vídeo-game (mas o Wii está restrito ao Mario Bros, já que estou incapacitada para a maior parte dos movimentos do Fit e mesmo do Sports, e não tenho outros jogos), navego na internet... E tenho comido horrores, claro, porque minha mente ansiosa só sabe pensar em comida. Renata, minha nutricionista, que não me leia... :-)))

1) Vanessa e Enaldo - Confesso que fui até a loja trocar o aroma, porque o de baunilha (a Vane A-M-A!) era doce demais para mim. Anyway, amei. Hidratante nunca é demais... e colônia, idem.

Body splash (qual o problema em chamar de colônia?)
e hidratante Sweet Angel (aroma Sweet Spell)

2) Salgueirinho e Beatriz - O Leandro sempre aproveita meus aniversários para me educar culturalmente, digamos assim. Foi assim que me apaixonei por Dexter (certo ano, ganhei um DVD com a 1ª temporada completa e, desde então, venho acompanhando esse peculiar serial killer). Em 2010, ganhei CD e DVD:

Saquem só a cultura cinematográfica do moço...



A musical também é foda, né? Já tá no ipod
3) Marcelo Vital - Rá! Eu amo ganhar livro. Ainda mais livro que ainda não li, de autores latino-americanos de minha predileção. Gosto do texto do Vargas Llosa (recomendo veementemente a leitura de Tia Julia e o escrevinhador, Pantaleão e as visitadoras, A cidade e os cachorros, nessa ordem). Ainda não tinha esse livro que o Vital me deu. E já estou lendo... Se conseguir terminar a leitura a tempo e não me apaixonar pelo livro, ainda vou à Saraiva trocá-lo por outro. :-)

O livro reúne dois textos: Os chefes (1959), livro de estreia do autor,
e Os filhotes, novela de 1967


4) Musse, Márcia e Sofia - Um DVD com um show clássico de Bob Marley promete, não?

Quem quer vir aqui em casa assistir?
Sobrou cerveja pacas...


  
5) Germana e Hernán - Minha primona sempre sabe como me agradar. Amo brincos, e estes são lindos.

Juro que, se conseguir uma foto melhor, troco.
Esta não faz jus aos brincos
6) Heloísa - Minha tia gaúcha lembrou de mim e me deu esse conjuntinho fofo de brincos e cordão. Mas o melhor presente, mesmo, não tive tempo de fotografar: um brigadeirão de-li-ci-o-so. Imaginem aí! ;-)

Uma fofurinha, não?
7) Eugênia - Os presentes da Eugênia são sempre inspirados. Achei essa bolsinha uma graça, só não decidi ainda para que vou usá-la. Moedas, talvez? Aceito sugestões...

Adorei esse cristo magrelo sob sol sertanejo
(sei lá, sol vermelho me soa escaldante e, portanto, lá do sertão ;-D)
8) Luiz Antonio e Francine (e Daniel, Helena e Fernanda) - Na verdade, eles me deram um desodorante do Boticário, mas eu estava com tanta vontade de comprar esse creme e tão sem grana para isso que aproveitei o presente para abater o valor do creminho-gel-que-parece-de-comer da nova linha Fun. Espero que não fiquem chateados, mas eu amei a troca e agradeço aos dois por terem me ajudado a comprar o creme que tanto queria.

Vocês já viram essa linha Fun? É tudo tão gostoso... :-P
9) Flávia e Marcelo - Ela sabe o quanto amo ganhar hidratantes. Amei, amei, amei (3x, para combinar com o presente). Acho que minha pele ganhou hidratação para o próximo ano, né?
 
Aí está um exemplo de presente triplamente agradável

10) Acácia e Acyoli (e Isabela, Pedro e Juliana) - Falem sério: já viram mochila mais fofa? Morram de inveja, pois fui eu quem escolhi. É da Santa Malagueta, um quiosque deveras gracioso que fica na estação Uruguaiana do Metrô. Minha tia Acácia é nota 10. Foi só eu falar que queria uma mochila nova, mas que fosse fofa, e ela me levou lá.
 
Fiquei na maior dúvida entre esta estampa de matrioskas
e as de bolinhas... Dúvida cruel, não? ;-)
11) Jaque - Adorei este porta-documentos para guardar os documentos do carro. Meu pai só achou muito aviadado pra ele ter que sair com isso quando tiver que levar meu carro para algum lugar, mas paciência.

As coisas da Fitá são mesmo uma graça, né?
12) Miriam - Quem não gosta de caixinhas, não é mesmo? E esta é tão bonitinha...

O melhor mesmo é o cheirinho de madeira, delicioso...

13) Sulamita - Minha avó me deu uma blusinha preta que até já foi usada. Estava lá no cesto de roupas para passar e, por isso, saiu tão amarrotada. É bonitinha, mas ela ainda está me devendo um vestidinho. De qualquer forma, nada disso compara ao panelão de canjica que minha avó trouxe para a festa. Sou completamente alucinada por canjica. Obviamente, o melhor já não dá mais para fotografar... :-P

Amarrotadinha, né? :-)


*****

Bem, que eu lembre, foi isso. Se alguém tiver me dado algo que eu tenha esquecido, por favor, não se ofenda e me avise. Todos sabem que tenho memória de peixe: sou uma Dory. :-) Só não estranhem o fato de não figurarem na lista os presentes da minha mãe, do meu pai e do Flávio, ok? É que são tantas coisas, materiais e imaterais... O post ficaria extenso demais e eu correria o risco de cometer injustiças.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Acidente doméstico

Na última quinta-feira, dia 23 de setembro, sofri um pequeno acidente doméstico. Cheguei em casa exausta e fui fazer um chá de sucupira para o Flávio, que dizem ser bom para dores na coluna. Era tarde e, embora eu quisesse apenas tomar um banho e relaxar, resolvi deixar o chá coado numa jarra de vidro. Acontece que não sabia onde estava a tal jarra e gastei vários minutos abrindo e fechando portas de armário. Já irritada, encontrei o que buscava no fundo do armário que há sob a pia, onde costuma dar mofo.

Lavei a jarra e, então, cometi uma grande estupidez: esqueci de um troço chamado choque térmico. A jarra estava sob a bancada de mármore, lavada. O chá, ainda borbulhante, estava na panela. O que eu fiz? Segurei o coador com uma das mãos e virei o chá dentro da jarra com a outra. A jarra espatifou-se. :-/

Gritei. Chorei. Consegui desviar o tronco, mas o chá caiu todo em minhas pernas. Dói para ca-ra-le-o. Flávio veio em meu socorro, mas não entendia nada. Eu não falava nada, só chorava. Apontei para a jarra quebrada e o chá esparramado pelo chão, consegui falar que tinha me queimado. Abri o congelador, peguei uma compressa de gelo, tirei a calça de ginástica (que só fazia cozinhar ainda mais a minha pele) e sentei para aplicar o gelo, sempre chorando.

Flávio ligou para meu pai, ele veio e pôs clara de ovo sobre a queimadura. Fomos ao Quinta D'Or, de onde só saí por volta de 1h30 da madrugada. E, desde então, estou de molho. Tenho queimaduras (de 1º e 2º graus) em ambas as coxas, faço curativos duas vezes ao dia, meus pais me trazem comida e eu não saio de casa por causa das cachorras... Desmarquei tudo que havia planejado para esta semana. E já perdi a conta de quantas vezes contei a mesma história.

Enfim...

Fica a dica: o choque térmico não é lenda e a gente pode se queimar fazendo chá. :-D

Para os curiosos de plantão, estas são as sementes de sucupira:
"A sucupira possui ação anticancerígina, além de ser um ótimo tônico. 
A planta é utilizada no combate ao excesso de ácido úrico do corpo, amigdalite, artrite, asma, 
blenorragia, cistos ovarianos e no útero, debilidade orgânica, dermatoses, diabetes, dor de garganta, 
dores espasmódicas, feridas, hemorragias, inflamações, reumatismo, sífilis e vermes." 
(Fonte: http://www.medicinaisplantas.com/plantas-medicinais-sucupira.html)


 

domingo, 19 de setembro de 2010

Agradeço àqueles que mostraram a língua...

E disseram: 33, junto comigo.

Ao som da clássica Canção de Aniversário, de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, que reproduzo abaixo, na voz de Nilo Sérgio:


Adoro fazer aniversário. E adoro, ainda mais, estar rodeada de amigos no dia 18 de setembro. Este ano, tudo parecia colaborar para que a comemoração fosse mais chinfrim, afinal, trabalhei a semana toda, o tempo ameaçou fechar terrivelmente (mas acabou sendo só uma chuvinha de nada, que não poderia mesmo faltar, já que sempre chove no meu aniversário) e ainda tive aula da pós no dia D (sábado). Todos podem imaginar o cansaço e a correria que foi, não? Ah! Acresçam a isso o fato de que, sexta à noite, me despenquei até Jacarepaguá, para o aniversário da Flávia... E a danada ainda inventou de fazer a festa em play alheio, o que me fez gastar umas duas horas em busca do endereço.

Mas, ok, sobrevivi. A aula nem foi ruim, consegui fazer as unhas e estreei um meigo vestido de bolinhas, o que sempre favorece meu humor. Flávio, Nena, meus pais, Marinalva... Todos me ajudaram a receber o pessoal (especialmente minha família, que nunca falta). Sem eles, nada teria dado certo. Teve caldo verde, caldinho de feijão, tapioquinhas doces e salgadas, milho cozido, salsichão, paçoca, jujuba, bolo, brigadeiros e brigadeirão. Diria que, salvo por algumas ausências, compreensíveis ou não, foi tudo perfeito. 

Este post é um agradecimento a todos. :-)

Seguem algumas fotitos da festinha...



 Salgueirinho e Bia, eu e Jaque

Tios Luiz Antonio e Acácia, minha mãe e minha avó Sulinha

 Jaque, Eugênia, eu, Clauber e Marcelo Vital

 Hernán, eu e Germana

 Enaldo e Vanessa

 Flávio, Bicudinha, Bruno e Taty

Flávia e Marcelo, Juliana (de costas) e Márcia, ao fundo


segunda-feira, 21 de junho de 2010

O dia da morte de Saramago

Sexta-feira passada, 18 de junho, tomei um susto. Morreu o escritor José Saramago. Sim, sei que estava idoso e que a saúde já vinha dando sinais de alerta, mas não estava preparada. Achava, ainda, que haveria mais uns dois ou três romances inéditos dele. Juro. Não esperava nenhuma obra-prima, é verdade... Até porque, a meu ver, Saramago foi pródigo em obras-primas. Ok, a rigor, só pode haver uma "prima", mas eu jamais pude me decidir. Se bem que, na verdade, tenho sim o meu "saramagozinho" preferido: Todos os nomes. Para mim, esse é o melhor de todos.

 Se é preciso escolher, fico com este

O personagem José, simplesmente José, como o do poema de Drummond (com o qual o romance parece dialogar o tempo inteiro), é de uma beleza singela. Ele é um simples escriturário de uma espécie de cartório português. Seu passatempo, no início da história, é colecionar fotos e informações sobre famosos. Entretanto, em determinado momento, a vida de uma mulher anônima lhe chama a atenção e ele deixa as celebridades de lado, passando a colecionar dados de anônimos, resgatados da burocracia do dito Registo Civil. Nas palavras do autor: "Que este romance possa ser entendido como um ensaio sobre a existência - talvez. [....] Que o livro possa ser visto como uma indagação sobre a identidade, sim, mas não sobre a identidade própria. O que aqui se procura é o 'outro'".

Não preciso nem dizer que recomendo deveras a leitura deste livro. Desde que o li, tento convencer meus amigos leitores de que este é um livro essencial. Infelizmente, jamais encontrei alguém que quisesse, principalmente, debater a questão identitária proposta por Saramago neste livro. Quem sabe agora? Creio que aproveitarei o ensejo, já que não haverá novos romances do Saramago, para reler este livro. E aí? Alguém me acompanha? ;-)

Deixo aqui uma crónica "drummondiana" de Saramago, pouco conhecida, publicada no seu livro A bagagem do viajante:



“E agora, José?”


Há versos célebres que se transmitem através das idades do homem, como roteiros, bandeiras, cartas de marear, sinais de trânsito, bússolas – ou segredos. Este, que veio ao mundo muito depois de mim, pelas mãos de Carlos Drummond de Andrade acompanha-me desde que nasci, por desses misteriosos acasos que fazem do que viveu já, do que vive e do que ainda não vive, um mesmo nó apertado e vertiginoso de tempo sem medida. Considero privilégio meu dispor deste verso, porque me chamo José e muitas vezes na vida me tenho interrogado: “E agora, José?” Foram aquelas horas em que o mundo escureceu, em que o desânimo se fez muralha, fosso de víboras, em que as mãos ficaram vazias e atónitas. “E agora, José?” Grande, porém, é o poder da poesia para que aconteça, como juro que acontece, que esta pergunta simples aja como um tónico, um golpe de espora, e não seja, como poderia ser, tentação, o começo da interminável ladainha que é a piedade por nós próprios.

Em todo o caso, há situações de tal modo absurdas (ou o que o pareceriam vinte e quatro horas antes), que não se pode censurar a ninguém um instante de desconforto total, um segundo em que tudo dentro de nós pede socorro, ainda que saibamos que logo a seguir a mola pisada, violentada, se vai distender vibrante e verticalmente afirmar. Nesse momento veloz tocara-se o fundo do poço.

Mas outros Josés andam pelo mundo, não o esqueçamos nunca. A eles também sucedem casos, desencontros, acidentes, agressões, de que saem às vezes vencedores, às vezes vencidos. Alguns não têm nada nem ninguém a seu favor, e esses são, afinal, os que tornam insignificantes e fúteis as nossas penas. A esses, que chegaram ao limite das forças, acuados a um canto pela matilha, sem coragem para o último ainda que mortal arranco, é que a pergunta de Carlos Drummond de Andrade deve ser feita, como um derradeiro apelo ao orgulho de ser homem: “E agora, José?”

Precisamente um desses casos me mostra que já falei demasiado de mim. Um outro José está diante da mesa onde escrevo. Não tem rosto, é um vulto apenas, uma superfície que treme como uma dor contínua. Sei que se chama José Júnior, sem mais riqueza de apelidos e genealogias, e vive em São Jorge da Beira. É novo, embriaga-se, tratam-no como se fosse uma espécie de bobo. Divertem-se à sua custa alguns adultos, e as crianças fazem-lhe assuadas, talvez o apedrejem de longe. E se isto não fizeram, empurraram-no com aquela súbita crueldade das crianças, ao mesmo tempo feroz e cobarde, e o José Júnior, perdido de bêbedo, caiu e partiu uma perna, ou talvez não, e foi para o hospital. Mísero corpo, alma pobre, orgulho ausente – “E agora, José?”

Afasto para o lado os meus próprios pesares e raivas diante deste quadro desolado de uma degradação, do gozo infinito que é para os homens esmagarem outros homens, afogá-los deliberadamente, aviltá-los, fazer deles objecto de troça, de irrisão, de chacota – matando sem matar, sob a asa da lei ou perante a sua indiferença. Tudo isto porque o pobre José Júnior é um José Júnior pobre. Tivesse ele bens avultados na terra, conta forte no banco, automóvel à porta – e todos os vícios lhe seriam perdoados. Mas assim, pobre, fraco e bêbedo, que grande fortuna para São Jorge da Beira. Nem todas as terras de Portugal se podem gabar de dispor de um alvo humano para darem livre expansão a ferocidades ocultas.

Escrevo estas palavras a muitos quilómetros de distância, não sei quem é José Júnior, e teria dificuldade em encontrar no mapa São Jorge da Beira. Mas estes nomes apenas designam casos particulares de fenómeno geral: o desprezo pelo próximo, quando não o ódio, tão constantes ali como aqui mesmo, em toda a parte, uma espécie de loucura epidémica que prefere as vítimas fáceis. Escrevo estas palavras num fim de tarde cor de madrugada com espumas no céu, tendo diante dos olhos uma nesga do Tejo, onde há barcos vagarosos que vão de margem a margem levando pessoas e recados. E tudo isto parece pacífico e harmonioso como os dois pombos que pousam na varanda e sussurram confidencialmente. Ah, esta vida preciosa que vai fugindo, tarde mansa que não será igual amanhã, que não serás, sobretudo, o que agora és.

Entretanto, José Júnior está no hospital, ou saiu já e arrasta a perna coxa pelas ruas frias de São Jorge da Beira. Há uma taberna, o vinho ardente e exterminador, o esquecimento de tudo no fundo da garrafa, como um diamante, a embriaguez vitoriosa enquanto dura. A vida vai voltar ao princípio. Será possível que a vida volte ao princípio? Será possível que os homens matem José Júnior? Será possível?

Cheguei ao fim da crónica, fiz o meu dever. “E agora, José?”

(in: SARAMAGO, José. A bagagem do viajante. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. 5. ed. p. 33-35)



PS: Fica aqui minha homenagem não só a Saramago, mas a meus saudosos avós Arivaldo Fontes e Murillo Andrade, igualmente "marcados" pelo dia 18 de junho. O primeiro, nascido em 18 de junho de 1923. O segundo, falecido em outro 18 de junho, de 2002. Que suas histórias de vida sobrevivam aos labirintos da burocracia, na memória de seus descendentes.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Aventuras culinárias

Mal começou o ano e já fiz dois pudins! Quem me conhece sabe que culinária não é exatamente meu forte, e, no entanto, tenho certo orgulho em dizer que meus pudins deram certo! Ok, o primeiro, de nozes, quase queimou e eu ainda acho que teria saído melhor sem chocolate. Acontece que não quis arriscar. Todas as receitas que encontrei na internet teimavam em dizer que era para botar chocolate, então, acabei acatando à sugestão. Da próxima vez, não ponho. Bastam as nozes e o gosto do leite condensado. Foi bom porque aproveitei as nozes da cesta de fim de ano da empresa. Não todas, obviamente, já que uma parte substituiu a castanha na caponata de berinjela que pedi à Nena para fazer no Natal. Aquilo, sim, ficou bom demais...

O pudim seguinte acabou em poucos minutos, ainda meio morno, no almoço que oferecemos ontem lá em casa. O cardápio? Frango defumado com abacaxi (que não me atrevi a desfiar nem a misturar, responsabilidades da Marinalva e da minha mãe), tender besuntado de manteiga e mel com molho de maçã (esse, sim, "culpa" minha!), arroz da minha sogra e farofa de ovos com bastante cebola, feita pelo meu pai. Sucesso absoluto de público e crítica. Se bem que família é sempre meio suspeita, né? A única coisa que atrapalhou um pouco o almoço foi o calor que assola o Rio de Janeiro. Não há circulador de ar que dê jeito!

Aos interessados, seguem aqui as receitas:

Pudim de leite condensado

1 lata de leite condensado
1 lata de leite
3 ovos
1 pires de nozes (ou não)

Calda: 5 colheres de sopa de açúcar + 5 colheres de sopa de água

Caramelize a forma em fogo brando. Deixe esfriar. Depois é só bater o leite condensado, o leite e os ovos (além das nozes, se desejar), jogar em cima e levar ao forno médio, em banho-maria, por cerca de 50 minutos. Na dúvida, espete um palito para ver se sai sequinho. Para desenformar, é só deixar esfriar (pode ser na geladeira ou até no congelador, se o tempo for curto), soltar as bordinhas, aquecer a parte de baixo (da calda) por alguns segundos e virar (com cuidado) no prato em que for servir.

Frango defumado com abacaxi

1 frango defumado desfiado
1 lata de abacaxi em calda
200 g de passas
1/2 caixa de creme de leite
3 colheres de sopa de maionese

Cortar o abacaxi em cubinhos e misturar tudo. O segredo está no equilíbrio entre creme de leite e maionese. Acho que deve ficar bom com banana, amêndoa e um tiquinho de curry ou mostarda. Se alguém se atrever a testar, me conte.

Tender com manteiga e mel

1 tender "bolinha" (suíno)
3 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de mel

Misturar o mel e a manteiga. Fazer cortes (não muito profundos) em formato de losangos na superfície do tender e espetar cravos nos vértices. Besuntar o tender, que deve estar descongelado, e levar ao forno médio por uns 30 minutos.

Molho de maçã

1 maçã picada
1/4 de xícara de água
5 colheres de sopa de mel
Suco de 1 limão
3 cravos

Levar ao fogo e deixar apurar por uns 10 minutos.

Caponata de berinjela

5 berinjelas
1/2 pimentão vermelho
1/2 pimentão amarelo
200 g de castanha (pode ser substituída por qualquer oleaginosa, como nozes ou amêndoas)

Tempero a gosto: sal, azeite, vinagre, alho, cebola e orégano

Cortar a berinjela e os pimentões, misturar tudo. Juntar a castanha e temperar com sal, vinagre, azeite, alho, cebola e orégano a gosto. Lembre-se: tempere mais fartamente do que se fosse uma salada e leve ao forno. Depois de uns 45 minutos de fogo alto, tire, mexa tudo e leve ao forno novamente, vigiando pela janelinha até que os contornos comecem a ficar meio douradinhos (o tempo, claro, depende da quantidade, assim como do calor do seu forno).

Bem, é isso. Não sei cozinhar e agradeço por ter a Nena por perto, bem como a minha mãe (se bem que cozinha também não o forte dela), a Marinalva e a Neuza. Mas, além de gostar de procurar receitas na internet, tenho sorte de geralmente ter sucesso no que experimento. Essas receitas aí de cima eu garanto: dão certo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Feriadão de Natal - 1ª parte

Sobrevivi a mais um Natal. Este ano não foi possível reunir todo mundo num lugar só, como seria o ideal. Não quis fazer a ceia novamente em minha casa, porque as cachorras destruíram meu jardim e a casa está precisando pintar. Fica para o ano que vem, com alguma sorte... Gostaria que minha mãe tivesse feito as vezes de anfitriã, mas não rolou. Resultado: passadinha rápida na casa da minha prima Aninha, em Laranjeiras, Metrô até a nova estação de Ipanema e ceia na casa da minha tia Acácia, com a família do meu pai. Almoço na casa da minha mãe no dia seguinte. Flávio desistiu de ver os pais e o irmão em Magé. No mais, gostei dos meus presentes, com destaque para o brinco verde que minha tia Miriam fez, a bolsa de estampa de gato com bolinhas que minha tia Acácia deu e o livro Caim (José Saramago), presente do meu tio Carlos.

Mais um livro presumivelmente iconoclasta
de Saramago que mal posso esperar para ler

O melhor mesmo deste Natal, porém, foi o fim de semana que o seguiu, tornando-o um feriadão. Fazer as unhas e sair para ver o comércio num dia de semana à tarde não tem preço - ok, teria sido melhor se fosse um dia comum, não tão quente, com comércio aberto no horário normal, sem tanta gente desesperada fazendo compras de última hora - e isso não é propaganda de cartão de crédito.

Foi bacana ler na rede com as cachorras ao lado (nem sempre exatamente ao lado, já que elas tentaram subir na rede inúmeras vezes), ir ao cinema, beber com amigos no Da Gema (especialmente com a Jaque, que raramente aparece por estas bandas e ainda não conhecia o bar, seu maravilhoso pastel de feijão gordo e suas cervejas estupidamente geladas), depois do cinema. Foi um fim de semana para botar algumas coisas em dia. Dividi-o em dois posts, porque achei que o texto ficaria longo demais. Parto da seguinte premissa: se nem eu tiver muita paciência para ler, é porque o texto precisa ser cortado.

Li Nove noites - o livro que ganhei de amigo oculto da Julie, lembram? - de uma levada só, afinal era fininho e a narrativa fluiu bem. Confesso, porém, que o fiz com o maior dos cuidados, para trocá-lo na Saraiva. Por mais que tenha sido uma leitura agradável, não era um livro que eu fizesse questão de manter na estante e já que podia trocá-lo, por que não? Na verdade, fiquei um pouco decepcionada com o final, que me pareceu um tanto batido. E achei o enredo um pouco confuso, embora não seja nada que comprometa a leitura. Gostei, só não achei genial. Esse lance pós-modernista que mistura realidade e ficção é algo que me agrada, mas ainda prefiro ler Saramago (daí ter ficado felicíssima com o presente do meu tio) ou mesmo Em liberdade, do Silviano Santiago, que dá continuidade às Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos.

O ruim da Saraiva é que a gente chega lá para trocar o livro e acaba saindo com, pelo menos, dois. Foi o que aconteceu comigo dessa vez. Encarei o temporal que caía no fim do expediente, o Metrô caótico (um vagão a menos e sem ar é muita sacanagem!) e rumei para o Shopping Tijuca. Eu já sabia que acabaria desembolsando algum, mas exagerei. Não consegui me decidir entre o último romance do Rubem Fonseca (O seminarista), embora prefira seus contos, e o penúltimo do Saramago, que eu ainda não tinha: A viagem do elefante.

O do Rubem Fonseca eu já comecei a ler na fila mesmo, enquanto esperava para pagar, mas acho que não vou retomá-lo já, não. Quero terminar A alma encantadora das ruas, coletânea de crônicas de João do Rio. Divirto-me muitíssimo com cada crônica, porém é uma leitura que tenho tido dificuldade em engrenar. Culpa do Metrô, que anda caótico! E do sono que venho sentindo pela manhã no 413...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Tão zoneado e tão perfeito

Sempre sonhei em trabalhar no Centro do Rio. Sou uma eterna apaixonada pela região e acho que ela é umas das melhores coisas que a cidade tem a oferecer. Para mim, não há nada melhor do que caminhar a esmo por entre ruas e becos de um bairro que esconde tantos tesouros. Um lugar onde há vários museus e centros culturais, bares e restaurantes tradicionais, comércio variadíssimo... Mil possibilidades ainda por descobrir, totalmente inacessíveis a quem trabalha longe dali. Pelo menos esse seria o raciocínio lógico, certo?

Entretanto, quem trabalha no Centro – como eu, que finalmente realizei meu sonho – não pode desfrutar de nada disso. Tudo bem, alguns dirão que eu não trabalho tão no Centro assim... Mas não acho que isso seja tão relevante. Afinal, gosto de andar e como rapidinho, ou seja, otimizo meu horário de almoço. O problema é que, por mais que me esforce, essa uma hora diária nunca é o bastante. Não dá para fazer quase nada (e olha que eu me esforço!).

Então, me restaria chegar mais cedo – e não encontrar ninguém nas ruas – ou atrasar minha volta para casa. E, nesse caso, continuaria sem visitar museu ou loja alguma, porque tudo fecha cedo. “Tudo não”, alguns dirão. Se o objetivo é tomar um chope, comer alguma coisa, pegar um cineminha... Ok, nesses casos, ainda é possível encontrar boas opções e a Lapa(!) é logo ali. Porém, para quem quer curtir o caos urbano do comércio do Centro, qual a solução? Passear pelo Centro na manhã de sábado? Talvez seja uma saída, é verdade. Mas, ainda assim, nada se compara a um dia de semana comum.

Hoje, porém, consegui curtir um pouco desse Centro de que gosto tanto. Caminhei da Presidente Vargas até o trabalho, ou seja quase até o aeroporto Santos Dumont. No caminho, o camelódromo da Uruguaiana, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito dos Homens Pretos, a Casa Cavé, o Largo da Carioca com uma Feira do Livro ainda por montar, a banca de jornais de onde se ouvia uma salsa, um pastor gritando qualquer coisa esdrúxula, a Cinelândia com os restos da abertura do Festival do Rio, a Santa Luzia e seus camelôs... Que vontade de parar! E minha avó no celular querendo ajuda para manusear sua nova máquina de pão. Tudo tão zoneado e tão perfeito.

Praia de Santa Luzia: Talvez eu seja saudosista, mas todos os dias
o vento no meu cabelo me diz que caminho sobre o mar...


sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Justa homenagem a Maria Margarida

PARA VER AS MENINAS

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim

Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído

Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito


Grande Paulinho da Viola! Já se passaram dois meses desde que escrevi neste blog. Sei que muitos devem achar que eu cansei, que perdi o tesão de escrever... Mas não é verdade. Eu adoro isso aqui. Meu silêncio também não é devido à falta de tempo. Eis uma coisa que não me falta... Mas, poxa, não vão pensando que eu sou uma ociosa, hein!? O lance é que eu descobri que o tempo é algo bastante maleável. Sempre dá para arranjar uns minutinhos aqui, outros ali.

Mas deixe eu parar com esses preâmbulos... Minha ausência nesses dois meses deve-se, afinal, a um fato bem triste. No dia 6 de setembro eu escrevi meu último post esforçando-me por falar de coisas boas. Entretanto, a realidade era que aquela tinha sido uma das poucas noites que pude passar em casa, depois de dois dias acompanhando minha avó no hospital. Meus pais tinham acabado de sair, naquele momento, para saber o que estava acontecendo com ela, tudo indicava que ela havia piorado. Não quis escrever sobre o assunto no dia e realmente, se o faço agora, é porque sinto a necessidade de me explicar.

No feriado de 7 de setembro, uma quinta-feira, perdi minha avó. Uma delas, é fato. Porque a outra ainda está por aí, lindinha e toda fofa. Mas, ultimamente, era a Maria Margarida que era a mais próxima. Morava pertinho, topava qualquer parada, minha companheira de viagens, de chope e até de pilates! Se vocês pensam que avós têm a cara da Dona Benta, seja a antiga (Zilka Salaberry) ou a atual (Suely Franco)... Acreditem, apesar dos cabelos brancos, minha avó não tinha nada a ver com esse estereótipo de vovó. Era classuda, bonita, moderna, charmosa e, pasmem, aos 76 anos, parecia uns dez anos menos. Ou seja, foi uma morte inesperada. E, bem, daí o meu silêncio.

Então, que fique aqui registrada minha justa homenagem a uma fã incondicional de Frank Sinatra. E que este seja o marco da retomada deste espaço. Tenho tantas coisas para comentar, fui a tantos lugares interessantes nesses últimos meses... Lembrem-me de falar sobre minha marajó renascida das cinzas, sobre Aracaju, Riachão do Dantas e seu bode (é sério!), sobre a pizzaria do Chico, os vários filmes a que assisti e, ora, tantas outras coisas.


Maria Margarida Meira
(30/08/30 - 07/09/06)


SERENADE IN BLUE

When I hear that serenade in blue

I'm somewhere in another world
Alone with you.
Sharing all the joys we use to know
Many moons, ago.

Once again your face comes back to me.
Just like the theme of some forgotten melodie.
In the album of my memory
Serenade, in Blue

It seems like only yesterday
A small cafe, a crowded floor
And as we danced the night away
I hear you say forever more
And then the song became a sigh
Forever more became goodbye;
But you remained in my heart.

So tell me darling is there still a spark?
Or only lonely ashes of the flame, we knew.
Should I go on whisteling in the dark?
Serenade in Blue



domingo, 30 de janeiro de 2005

Uma certa nostalgia

Ultimamente, venho pensando em como é difícil observar que as pessoas que nos rodeiam, justamente as mais queridas, da nossa família, estão envelhecendo. A conseqüência - natural, mas nem por isso menos trágica - é que elas vão morrer e vamos, aos poucos, perder nossas referências sociais. Hoje, elas estão aqui. Amanhã ou depois, talvez não estejam mais. É algo inevitável e que nos dá, por vezes, uma incrível sensação de impotência.

É pena, mas esse é um assunto sobre o qual não podemos falar com qualquer um, sob pena de ouvir aqueles velhos chavões: "faz parte da vida", "é assim mesmo", "não tem jeito"... De um sábio conformismo, admito. Sábio, porque, em face ao inevitável, o melhor talvez seja mesmo aceitar e pronto. Mas esse é um conformismo bastante incômodo, que não resolve nada. Na verdade, a pessoa vai continuar triste, a saudade vai bater do mesmo jeito... Ora, por que temos tanta dificuldade em lidar com essa história de morte?

Tenho pensado no meu avô (que já se foi) e, por tabela, no meu pai, na minha mãe, em todos os que ainda estão por aqui e, puxa, como eu queria que não se fossem jamais! Não se trata nem de eternidade, ou coisa parecida, o que eu gostaria era de saber quanto tempo terei com cada um, para poder aproveitar ao máximo. Não seria fantástico? Bem mais seguro, com certeza... Outra coisa que me deixa bem triste é pensar em que coisas passadas e que não vão acontecer de novo. Fotografias ajudam a lembrar, é verdade. Mas eu juro que ficaria bem mais satisfeita de voltar ao passado, observar tudo ali, in loco. Mas nem precisaria ser algo presencial. A vida podia ser, assim, uma espécie de dvd. A gente escolhe a cena a que deseja assistir. Imagina a quantidade de coisas que poderíamos lembrar, repensar, entender...

Entretanto, estamos restritos às lembranças que nossa tecnologia permite. E, talvez por medo, seguimos tratando tão mal nossos velhos... Dói perceber que a jornada deles está chegando ao fim. Dói saber que aquele futuro ali é também o nosso. E dói demais lembrar que, não faz muito tempo, eles eram jovens como a gente, tinham boa memória, andavam sem dificuldade... Caramba, como isso tudo é difícil!!! No fundo, Nelson Cavaquinho é que tinha razão ao cantar:

Sei que amanhã quando eu morrer,
os meus amigos vão dizer
que eu tinha um bom coração.
Alguns até hão de chorar
e querer me homenagear
fazendo de ouro, um violão

Mas depois que o tempo passar
sei que ninguém vai se lembrar
que eu fui embora.
Por isso é que eu penso assim:
se alguém quiser fazer por mim,
que faça agora.

(...)

(Quando eu me chamar saudade, Nelson Cavaquinho)