Sinta-se à vontade! Está vendo aquele sujeito de camisa amarela, encostado no balcão? Pois então... É o freguês mais antigo deste "café zurrapa", como tantos que existem no Largo da Lapa. Folião de raça, há muito já passou do quarto copo de cachaça! Como diria Ary Barroso: "isso não é chalaça"!
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quinta-feira, 8 de março de 2012
As manias de Dona Gatinha
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Qualquer semelhança é mera coincidência?
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| O Sósia (ou Álvaro) é o que aparece atrás da cara de bobo do Léo, que gentilmente posou para a foto e, sem o qual, esta história não teria boa parte da graça. |
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| O famoso Marinaldo Guimarães, meu falecido tio. |
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
URGE RECOMEÇAR
Mais complicado tem sido organizar o lado prático da vida, a rotina. Ainda não consegui me acertar com as compras de casa, nem dei conta de arrumar uma penca de coisas, mas já dei cabo de algumas burocracias. Tenho sorte, porque gosto de viver sozinha (acho que ser filha única ajuda bastante nessas horas). Só preciso aprender os macetes, que, sem dúvida, existem. Compras de supermercado? Hortifruti? Estou quase lá. Cadelas? Gata? Ração? Veterinário? Ainda estou engatinhando, mas vislumbro progressos. Agora, repensar meus planos de vida é o pior. Acho, porém, que isso deve vir com tempo, né? Enfim...
Aos que não estiveram comigo nos últimos meses e não fazem ideia do que está se passando, comunico tristemente a morte de meu marido no último dia 13 de janeiro. Flávio (ou MacGyver, para os mais chegados) se foi após um martírio de quase três meses de internação. Embora este não tenha sido o desfecho que desejávamos, creio que tem me ajudado a aceitar melhor a perda de alguém tão jovem e que eu esperava que estivesse ao meu lado por muito mais tempo. Sendo assim, e se é que ainda há o que se trilhar depois desta vida, posso apenas desejar que meu companheiro tenha paz e muita luz em seu caminho.
Repito, portanto, a homenagem que a ele fiz no Facebook e no Orkut:
Compartilho aqui, nostálgica, uma das músicas que o Flávio escolheu para compor uma fita k7 (lembram disso?) que ele gravou pra mim quando a gente começou a namorar, 12 anos atrás. Acho belíssima.
E, ainda, deixo aqui esta música, que eu nem conhecia, mas que o Flávio usou para se descrever no Orkut durante anos. Como decidi pedir para excluírem o perfil, achei melhor incluí-la neste post-homenagem:
Para concluir:
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Inventário de presentes
| Body splash (qual o problema em chamar de colônia?) e hidratante Sweet Angel (aroma Sweet Spell) |
Saquem só a cultura cinematográfica do moço...
|
| O livro reúne dois textos: Os chefes (1959), livro de estreia do autor, e Os filhotes, novela de 1967 |
| Quem quer vir aqui em casa assistir? Sobrou cerveja pacas... |
| Juro que, se conseguir uma foto melhor, troco. Esta não faz jus aos brincos |
| Uma fofurinha, não? |
| Adorei esse cristo magrelo sob sol sertanejo (sei lá, sol vermelho me soa escaldante e, portanto, lá do sertão ;-D) |
| Vocês já viram essa linha Fun? É tudo tão gostoso... :-P |
| Aí está um exemplo de presente triplamente agradável |
| Fiquei na maior dúvida entre esta estampa de matrioskas e as de bolinhas... Dúvida cruel, não? ;-) |
| As coisas da Fitá são mesmo uma graça, né? |
| O melhor mesmo é o cheirinho de madeira, delicioso... |
| Amarrotadinha, né? :-) |
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Acidente doméstico
Gritei. Chorei. Consegui desviar o tronco, mas o chá caiu todo em minhas pernas. Dói para ca-ra-le-o. Flávio veio em meu socorro, mas não entendia nada. Eu não falava nada, só chorava. Apontei para a jarra quebrada e o chá esparramado pelo chão, consegui falar que tinha me queimado. Abri o congelador, peguei uma compressa de gelo, tirei a calça de ginástica (que só fazia cozinhar ainda mais a minha pele) e sentei para aplicar o gelo, sempre chorando.
Fica a dica: o choque térmico não é lenda e a gente pode se queimar fazendo chá. :-D
domingo, 19 de setembro de 2010
Agradeço àqueles que mostraram a língua...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
O dia da morte de Saramago
Em todo o caso, há situações de tal modo absurdas (ou o que o pareceriam vinte e quatro horas antes), que não se pode censurar a ninguém um instante de desconforto total, um segundo em que tudo dentro de nós pede socorro, ainda que saibamos que logo a seguir a mola pisada, violentada, se vai distender vibrante e verticalmente afirmar. Nesse momento veloz tocara-se o fundo do poço.
Mas outros Josés andam pelo mundo, não o esqueçamos nunca. A eles também sucedem casos, desencontros, acidentes, agressões, de que saem às vezes vencedores, às vezes vencidos. Alguns não têm nada nem ninguém a seu favor, e esses são, afinal, os que tornam insignificantes e fúteis as nossas penas. A esses, que chegaram ao limite das forças, acuados a um canto pela matilha, sem coragem para o último ainda que mortal arranco, é que a pergunta de Carlos Drummond de Andrade deve ser feita, como um derradeiro apelo ao orgulho de ser homem: “E agora, José?”
Precisamente um desses casos me mostra que já falei demasiado de mim. Um outro José está diante da mesa onde escrevo. Não tem rosto, é um vulto apenas, uma superfície que treme como uma dor contínua. Sei que se chama José Júnior, sem mais riqueza de apelidos e genealogias, e vive em São Jorge da Beira. É novo, embriaga-se, tratam-no como se fosse uma espécie de bobo. Divertem-se à sua custa alguns adultos, e as crianças fazem-lhe assuadas, talvez o apedrejem de longe. E se isto não fizeram, empurraram-no com aquela súbita crueldade das crianças, ao mesmo tempo feroz e cobarde, e o José Júnior, perdido de bêbedo, caiu e partiu uma perna, ou talvez não, e foi para o hospital. Mísero corpo, alma pobre, orgulho ausente – “E agora, José?”
Afasto para o lado os meus próprios pesares e raivas diante deste quadro desolado de uma degradação, do gozo infinito que é para os homens esmagarem outros homens, afogá-los deliberadamente, aviltá-los, fazer deles objecto de troça, de irrisão, de chacota – matando sem matar, sob a asa da lei ou perante a sua indiferença. Tudo isto porque o pobre José Júnior é um José Júnior pobre. Tivesse ele bens avultados na terra, conta forte no banco, automóvel à porta – e todos os vícios lhe seriam perdoados. Mas assim, pobre, fraco e bêbedo, que grande fortuna para São Jorge da Beira. Nem todas as terras de Portugal se podem gabar de dispor de um alvo humano para darem livre expansão a ferocidades ocultas.
Escrevo estas palavras a muitos quilómetros de distância, não sei quem é José Júnior, e teria dificuldade em encontrar no mapa São Jorge da Beira. Mas estes nomes apenas designam casos particulares de fenómeno geral: o desprezo pelo próximo, quando não o ódio, tão constantes ali como aqui mesmo, em toda a parte, uma espécie de loucura epidémica que prefere as vítimas fáceis. Escrevo estas palavras num fim de tarde cor de madrugada com espumas no céu, tendo diante dos olhos uma nesga do Tejo, onde há barcos vagarosos que vão de margem a margem levando pessoas e recados. E tudo isto parece pacífico e harmonioso como os dois pombos que pousam na varanda e sussurram confidencialmente. Ah, esta vida preciosa que vai fugindo, tarde mansa que não será igual amanhã, que não serás, sobretudo, o que agora és.
Entretanto, José Júnior está no hospital, ou saiu já e arrasta a perna coxa pelas ruas frias de São Jorge da Beira. Há uma taberna, o vinho ardente e exterminador, o esquecimento de tudo no fundo da garrafa, como um diamante, a embriaguez vitoriosa enquanto dura. A vida vai voltar ao princípio. Será possível que a vida volte ao princípio? Será possível que os homens matem José Júnior? Será possível?
Cheguei ao fim da crónica, fiz o meu dever. “E agora, José?”
(in: SARAMAGO, José. A bagagem do viajante. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. 5. ed. p. 33-35)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Aventuras culinárias
O pudim seguinte acabou em poucos minutos, ainda meio morno, no almoço que oferecemos ontem lá em casa. O cardápio? Frango defumado com abacaxi (que não me atrevi a desfiar nem a misturar, responsabilidades da Marinalva e da minha mãe), tender besuntado de manteiga e mel com molho de maçã (esse, sim, "culpa" minha!), arroz da minha sogra e farofa de ovos com bastante cebola, feita pelo meu pai. Sucesso absoluto de público e crítica. Se bem que família é sempre meio suspeita, né? A única coisa que atrapalhou um pouco o almoço foi o calor que assola o Rio de Janeiro. Não há circulador de ar que dê jeito!
Aos interessados, seguem aqui as receitas:
Pudim de leite condensado
1 lata de leite condensado
1 lata de leite
3 ovos
1 pires de nozes (ou não)
Calda: 5 colheres de sopa de açúcar + 5 colheres de sopa de água
Caramelize a forma em fogo brando. Deixe esfriar. Depois é só bater o leite condensado, o leite e os ovos (além das nozes, se desejar), jogar em cima e levar ao forno médio, em banho-maria, por cerca de 50 minutos. Na dúvida, espete um palito para ver se sai sequinho. Para desenformar, é só deixar esfriar (pode ser na geladeira ou até no congelador, se o tempo for curto), soltar as bordinhas, aquecer a parte de baixo (da calda) por alguns segundos e virar (com cuidado) no prato em que for servir.
Frango defumado com abacaxi
1 frango defumado desfiado
1 lata de abacaxi em calda
200 g de passas
1/2 caixa de creme de leite
3 colheres de sopa de maionese
Cortar o abacaxi em cubinhos e misturar tudo. O segredo está no equilíbrio entre creme de leite e maionese. Acho que deve ficar bom com banana, amêndoa e um tiquinho de curry ou mostarda. Se alguém se atrever a testar, me conte.
Tender com manteiga e mel
1 tender "bolinha" (suíno)
3 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de mel
Misturar o mel e a manteiga. Fazer cortes (não muito profundos) em formato de losangos na superfície do tender e espetar cravos nos vértices. Besuntar o tender, que deve estar descongelado, e levar ao forno médio por uns 30 minutos.
Molho de maçã
1 maçã picada
1/4 de xícara de água
5 colheres de sopa de mel
Suco de 1 limão
3 cravos
Levar ao fogo e deixar apurar por uns 10 minutos.
Caponata de berinjela
5 berinjelas
1/2 pimentão vermelho
1/2 pimentão amarelo
200 g de castanha (pode ser substituída por qualquer oleaginosa, como nozes ou amêndoas)
Tempero a gosto: sal, azeite, vinagre, alho, cebola e orégano
Cortar a berinjela e os pimentões, misturar tudo. Juntar a castanha e temperar com sal, vinagre, azeite, alho, cebola e orégano a gosto. Lembre-se: tempere mais fartamente do que se fosse uma salada e leve ao forno. Depois de uns 45 minutos de fogo alto, tire, mexa tudo e leve ao forno novamente, vigiando pela janelinha até que os contornos comecem a ficar meio douradinhos (o tempo, claro, depende da quantidade, assim como do calor do seu forno).
Bem, é isso. Não sei cozinhar e agradeço por ter a Nena por perto, bem como a minha mãe (se bem que cozinha também não o forte dela), a Marinalva e a Neuza. Mas, além de gostar de procurar receitas na internet, tenho sorte de geralmente ter sucesso no que experimento. Essas receitas aí de cima eu garanto: dão certo.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Feriadão de Natal - 1ª parte
Foi bacana ler na rede com as cachorras ao lado (nem sempre exatamente ao lado, já que elas tentaram subir na rede inúmeras vezes), ir ao cinema, beber com amigos no Da Gema (especialmente com a Jaque, que raramente aparece por estas bandas e ainda não conhecia o bar, seu maravilhoso pastel de feijão gordo e suas cervejas estupidamente geladas), depois do cinema. Foi um fim de semana para botar algumas coisas em dia. Dividi-o em dois posts, porque achei que o texto ficaria longo demais. Parto da seguinte premissa: se nem eu tiver muita paciência para ler, é porque o texto precisa ser cortado.
Li Nove noites - o livro que ganhei de amigo oculto da Julie, lembram? - de uma levada só, afinal era fininho e a narrativa fluiu bem. Confesso, porém, que o fiz com o maior dos cuidados, para trocá-lo na Saraiva. Por mais que tenha sido uma leitura agradável, não era um livro que eu fizesse questão de manter na estante e já que podia trocá-lo, por que não? Na verdade, fiquei um pouco decepcionada com o final, que me pareceu um tanto batido. E achei o enredo um pouco confuso, embora não seja nada que comprometa a leitura. Gostei, só não achei genial. Esse lance pós-modernista que mistura realidade e ficção é algo que me agrada, mas ainda prefiro ler Saramago (daí ter ficado felicíssima com o presente do meu tio) ou mesmo Em liberdade, do Silviano Santiago, que dá continuidade às Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos.
O ruim da Saraiva é que a gente chega lá para trocar o livro e acaba saindo com, pelo menos, dois. Foi o que aconteceu comigo dessa vez. Encarei o temporal que caía no fim do expediente, o Metrô caótico (um vagão a menos e sem ar é muita sacanagem!) e rumei para o Shopping Tijuca. Eu já sabia que acabaria desembolsando algum, mas exagerei. Não consegui me decidir entre o último romance do Rubem Fonseca (O seminarista), embora prefira seus contos, e o penúltimo do Saramago, que eu ainda não tinha: A viagem do elefante.
O do Rubem Fonseca eu já comecei a ler na fila mesmo, enquanto esperava para pagar, mas acho que não vou retomá-lo já, não. Quero terminar A alma encantadora das ruas, coletânea de crônicas de João do Rio. Divirto-me muitíssimo com cada crônica, porém é uma leitura que tenho tido dificuldade em engrenar. Culpa do Metrô, que anda caótico! E do sono que venho sentindo pela manhã no 413...
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Tão zoneado e tão perfeito
Sempre sonhei em trabalhar no Centro do Rio. Sou uma eterna apaixonada pela região e acho que ela é umas das melhores coisas que a cidade tem a oferecer. Para mim, não há nada melhor do que caminhar a esmo por entre ruas e becos de um bairro que esconde tantos tesouros. Um lugar onde há vários museus e centros culturais, bares e restaurantes tradicionais, comércio variadíssimo... Mil possibilidades ainda por descobrir, totalmente inacessíveis a quem trabalha longe dali. Pelo menos esse seria o raciocínio lógico, certo?
Entretanto, quem trabalha no Centro – como eu, que finalmente realizei meu sonho – não pode desfrutar de nada disso. Tudo bem, alguns dirão que eu não trabalho tão no Centro assim... Mas não acho que isso seja tão relevante. Afinal, gosto de andar e como rapidinho, ou seja, otimizo meu horário de almoço. O problema é que, por mais que me esforce, essa uma hora diária nunca é o bastante. Não dá para fazer quase nada (e olha que eu me esforço!).
Então, me restaria chegar mais cedo – e não encontrar ninguém nas ruas – ou atrasar minha volta para casa. E, nesse caso, continuaria sem visitar museu ou loja alguma, porque tudo fecha cedo. “Tudo não”, alguns dirão. Se o objetivo é tomar um chope, comer alguma coisa, pegar um cineminha... Ok, nesses casos, ainda é possível encontrar boas opções e a Lapa(!) é logo ali. Porém, para quem quer curtir o caos urbano do comércio do Centro, qual a solução? Passear pelo Centro na manhã de sábado? Talvez seja uma saída, é verdade. Mas, ainda assim, nada se compara a um dia de semana comum.
Praia de Santa Luzia: Talvez eu seja saudosista, mas todos os dias
o vento no meu cabelo me diz que caminho sobre o mar...
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Justa homenagem a Maria Margarida
Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído
Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito
Grande Paulinho da Viola! Já se passaram dois meses desde que escrevi neste blog. Sei que muitos devem achar que eu cansei, que perdi o tesão de escrever... Mas não é verdade. Eu adoro isso aqui. Meu silêncio também não é devido à falta de tempo. Eis uma coisa que não me falta... Mas, poxa, não vão pensando que eu sou uma ociosa, hein!? O lance é que eu descobri que o tempo é algo bastante maleável. Sempre dá para arranjar uns minutinhos aqui, outros ali.
Mas deixe eu parar com esses preâmbulos... Minha ausência nesses dois meses deve-se, afinal, a um fato bem triste. No dia 6 de setembro eu escrevi meu último post esforçando-me por falar de coisas boas. Entretanto, a realidade era que aquela tinha sido uma das poucas noites que pude passar em casa, depois de dois dias acompanhando minha avó no hospital. Meus pais tinham acabado de sair, naquele momento, para saber o que estava acontecendo com ela, tudo indicava que ela havia piorado. Não quis escrever sobre o assunto no dia e realmente, se o faço agora, é porque sinto a necessidade de me explicar.
No feriado de 7 de setembro, uma quinta-feira, perdi minha avó. Uma delas, é fato. Porque a outra ainda está por aí, lindinha e toda fofa. Mas, ultimamente, era a Maria Margarida que era a mais próxima. Morava pertinho, topava qualquer parada, minha companheira de viagens, de chope e até de pilates! Se vocês pensam que avós têm a cara da Dona Benta, seja a antiga (Zilka Salaberry) ou a atual (Suely Franco)... Acreditem, apesar dos cabelos brancos, minha avó não tinha nada a ver com esse estereótipo de vovó. Era classuda, bonita, moderna, charmosa e, pasmem, aos 76 anos, parecia uns dez anos menos. Ou seja, foi uma morte inesperada. E, bem, daí o meu silêncio.
Então, que fique aqui registrada minha justa homenagem a uma fã incondicional de Frank Sinatra. E que este seja o marco da retomada deste espaço. Tenho tantas coisas para comentar, fui a tantos lugares interessantes nesses últimos meses... Lembrem-me de falar sobre minha marajó renascida das cinzas, sobre Aracaju, Riachão do Dantas e seu bode (é sério!), sobre a pizzaria do Chico, os vários filmes a que assisti e, ora, tantas outras coisas.
(30/08/30 - 07/09/06)
SERENADE IN BLUE
When I hear that serenade in blue
I'm somewhere in another world
Alone with you.
Sharing all the joys we use to know
Many moons, ago.
Once again your face comes back to me.
Just like the theme of some forgotten melodie.
In the album of my memory
Serenade, in Blue
It seems like only yesterday
A small cafe, a crowded floor
And as we danced the night away
I hear you say forever more
And then the song became a sigh
Forever more became goodbye;
But you remained in my heart.
So tell me darling is there still a spark?
Or only lonely ashes of the flame, we knew.
Should I go on whisteling in the dark?
Serenade in Blue
domingo, 30 de janeiro de 2005
Uma certa nostalgia
É pena, mas esse é um assunto sobre o qual não podemos falar com qualquer um, sob pena de ouvir aqueles velhos chavões: "faz parte da vida", "é assim mesmo", "não tem jeito"... De um sábio conformismo, admito. Sábio, porque, em face ao inevitável, o melhor talvez seja mesmo aceitar e pronto. Mas esse é um conformismo bastante incômodo, que não resolve nada. Na verdade, a pessoa vai continuar triste, a saudade vai bater do mesmo jeito... Ora, por que temos tanta dificuldade em lidar com essa história de morte?
Tenho pensado no meu avô (que já se foi) e, por tabela, no meu pai, na minha mãe, em todos os que ainda estão por aqui e, puxa, como eu queria que não se fossem jamais! Não se trata nem de eternidade, ou coisa parecida, o que eu gostaria era de saber quanto tempo terei com cada um, para poder aproveitar ao máximo. Não seria fantástico? Bem mais seguro, com certeza... Outra coisa que me deixa bem triste é pensar em que coisas passadas e que não vão acontecer de novo. Fotografias ajudam a lembrar, é verdade. Mas eu juro que ficaria bem mais satisfeita de voltar ao passado, observar tudo ali, in loco. Mas nem precisaria ser algo presencial. A vida podia ser, assim, uma espécie de dvd. A gente escolhe a cena a que deseja assistir. Imagina a quantidade de coisas que poderíamos lembrar, repensar, entender...
Entretanto, estamos restritos às lembranças que nossa tecnologia permite. E, talvez por medo, seguimos tratando tão mal nossos velhos... Dói perceber que a jornada deles está chegando ao fim. Dói saber que aquele futuro ali é também o nosso. E dói demais lembrar que, não faz muito tempo, eles eram jovens como a gente, tinham boa memória, andavam sem dificuldade... Caramba, como isso tudo é difícil!!! No fundo, Nelson Cavaquinho é que tinha razão ao cantar:
Sei que amanhã quando eu morrer,
os meus amigos vão dizer
que eu tinha um bom coração.
Alguns até hão de chorar
e querer me homenagear
fazendo de ouro, um violão
Mas depois que o tempo passar
sei que ninguém vai se lembrar
que eu fui embora.
Por isso é que eu penso assim:
se alguém quiser fazer por mim,
que faça agora.
(...)
(Quando eu me chamar saudade, Nelson Cavaquinho)



