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sábado, 1 de julho de 2006

"¿Qué he hecho yo para merecer esto?!!"

Em tempos de Copa do Mundo, é sempre bom explicar....

Atenção: o título deste post não é uma provocação "hermana"... Juro que não tem nada a ver com a dolorosa eliminação da Argentina, no jogo de ontem contra a Alemanha. Aliás, o título não tem nada a ver com futebol. É que eu aproveitei o último feriado futebolístico para tirar o atraso. Ops! Seus maldosos! Refiro-me ao atraso cinematográfico... Fomos - eu, Flávio, Rosana e Paulo - assistir ao novo (eu disse novo???) Almodóvar. Pois é, acho que não tenho lido os jornais direito... Não li nada a respeito. E, de repente, chega aos meus ouvidos que há um novo Almodóvar em cartaz. Epa! Eu tinha que assistir!!! Fui olhar no jornal e lá estava: "Que fiz eu para merecer isto", em cartaz no Estação Botafogo 3 e no Paço. Putz! Só cineminha fim de carreira... Que estranho!!!

Carmen Maura, como Gloria

Então, resolvi prestar mais atenção à sinopse e afins. Só então, compreendi. O novo Almodóvar é de 1984!!! Ainda bem que eu li isso antes de chegar ao cinema, senão seria bastante frustrante. Aproveitei para dar uma olhadinha na crítica. Afinal, por que exibir um filme de 1984??? Poxa, 22 anos depois... É até engraçado ver a Carmen Maura tão novinha. A impressão que dá é que é mero oportunismo. Aproveitar o nome do cineasta, ocupar a entressafra... Sei lá. Mais ou menos o que fizeram com aquele outro filme dele, o "Maus hábitos" (1983). Lembro que, embora seja um dos filmes mais importantes da carreira de Almodóvar, só passou nos cinemas daqui a reboque de "Má educação". Talvez pela temática que remete ao catolicismo... Mas, de qualquer maneira, oportunista.

Apesar da desconfiança, fui ao cinema. Escolhi o Estação 3, por conta do horário. Não me arrependi. Tudo bem, tampouco me vanglorio por ter ido ao cinema. "Que fiz eu para merecer isto?" é um filme a que se pode assistir em casa. Pelo menos, nos dias de hoje. É que o filme ficou datado... Tem até (d)efeitos especiais!!! Então, a história de humor acaba ganhando uma graça involuntária, o que pode ser bom ou ruim. De fato, não chega a atrapalhar, mas lembra um pouco essas festas de temática Anos 80 em que as pessoas riem de coisas que, à época, não tinham graça alguma.

Bem, quem quiser que confira a história de Gloria, uma faxineira que se vira como pode para cuidar de sua família. Ela vive em um pequeno apartamento de Madri, com seu ríspido marido taxista, o filho traficante, o filho homossexual e a sogra sovina. O filme pode não ser nada de excepcional, mas os tipos criados por Almodóvar são - como sempre - deliciosos... Enfim, só não precisa correr pra ver no cinema. Dá pra deixar pra ver em dvd. Ou, sendo o filme de 1984, em vhs mesmo, com todos os defeitos de imagem. Pode escolher.

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Agora, voltando à realidade da Copa do Mundo... Como disse meu amigo Bruno Ribeiro, aproveitando um lance genial de Marcelo Masagão (de Nós que aqui estamos por vós esperamos):

Que venha a França!!!

PS: A França veio, cantou a Marsellaise e deu um ballet no futebol brasileiro. Era uma vez a Copa do Mundo, já era o hexa... Fica pra próxima. 2010, quem sabe? O negócio agora é torcer pra Portugal e cantar junto "Heróis do mar, nobre povo, / Nação valente, imortal, / Levantai hoje de novo / O esplendor de Portugal! (...)". Acho que a gente precisa ser menos rancoroso... Revanche, revanche... Se o povo queria se "vingar" do vexame de 98 que abandonasse o galicismo! Ao invés de revanche, que se use desforra, desagravo, despique... Seja lá como for, diz a sabedoria popular que o feitiço sempre vira contra o feiceiro. Secamos a Argentina? Pagamos na mesma moeda, ou ainda pior. Afinal, eles disputaram essa copa. Já a gente, só foi lá passear.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Vinicius, personagem plural e... singular


Como disse da última vez, fui assistir a “Vinicius” em pleno domingo de carnaval. Não devia ter esperado tanto. Acho que tinha medo de não gostar, porque tenho um certo pé atrás com a bossa nova. E, admito, nunca me considerei uma fã de Vinicius de Moraes.

Paguei por isso. Acabei assistindo a uma cópia ruim em um cinema minúsculo. Não me entendam mal, adoro o Estação Paço. É um cineminha simples, simpático, clima intimista. Mas é notório que ali se assiste à raspa do tacho. As pobres cópias que são exibidas no Paço, muitas vezes, já estão desbotadas e o som também não é dos melhores... E, putz!, ver um documentário tão cheio de música – boa música – sem poder degustar cada nota... Não poder observar cada detalhe daquelas imagens de acervo tão caprichadas... Uma pena, uma pena! Juro que verei de novo em dvd! Merece.

Pois é, não entendo nada de Vinicius. Mas é exatamente por isso que esse filme é perfeito. Pelo menos, para leigos, como eu, que têm a oportunidade de conhecer, compreender melhor o
poetinha. É didático sem ser chato; conta uma história envolvente, que intercala com depoimentos diversos e mostra até um pouco do ser humano Vinicius de Moraes. Saí de lá um pouco nostálgica, como tem sido freqüente, de um tempo que não vivi.

Aproveito para sugerir uma visita ao site oficial do poeta. Não, não é recente como o filme. Foi lançado, anos atrás, em comemoração aos 90 anos de Vinicius. Lembro bem, porque, ainda professora, cheguei a usá-lo em um projeto que fiz com meus alunos. Não deu muito certo, mas foi bastante divertido. As "crianças" cantaram, tocaram, escolheram poemas... E, nesse ponto, o site ajudou muito, é completíssimo.

sexta-feira, 17 de março de 2006

De volta ao carnaval: espontaneidade de um Boitolo...

Por aqui passou o Cordão do Boitolo


Domingo de carnaval. Confesso que essa não é minha praia. Por mais que goste de samba, sinto uma certa repulsa por multidões, barulho etc. Tenho um certo desprezo pelo lado comercial da festa, na Sapucaí. Sinto-me um peixe fora d’água.

Esse ano, porém, não pude viajar. Fiquei no Rio e acabei me deixando contagiar um pouco pelo clima festivo. Fiz uma lista dos blocos que gostaria de ver, nem que fosse de longe, e acabei indo parar no que seria a maior furada. Explico: li no Jornal do Brasil que o Cordão do Boitatá desfilaria no domingo pela manhã, ali na Praça XV. Então, eu, Flávio e minha mãe nos despencamos para lá. O problema é que, embora chegassem cada vez mais pessoas fantasiadas, nada de música. Aliás, nada de nada.

No meio da multidão que se formava, encontrei alguns conhecidos e descobri que o desfile do bloco tinha sido adiado para o dia seguinte. Dizia-se que era pra não encher muito etc. E parece que esta prática – antipática – vem sendo adotada por vários blocos de carnaval, aliás. Fiquei um pouco decepcionada, mas com a pulga atrás da orelha. É que ninguém arredava o pé dali, de jeito nenhum. Só minha mãe, é claro, que saiu assim que chegou... Mas chegavam cada vez mais pessoas... Eu não podia ir embora sem saber o que iria acontecer. Isso de jeito nenhum!

Foi então que, de repente, um grupo começou a batucar no que via pela frente. Surgiu um cara tocando corneta. As pessoas começaram a cantar as tradicionais marchinhas... Alguns gritavam: BOITOLO! BOITOLO! Percebi que estava no embrião de um novo bloco. Vida curta ou longa, impossível dizer. Mas, certamente, um bloco de protesto. Contra esse estrelismo de alguns grupos que esquecem que manifestações populares só têm valor quando autênticas... Do meio da multidão fantasiada, surgiu um pedaço de papelão. Preso ao tridente de um diabinho, dizia em batom: Cordão do Boitolo, e atrás: ou do Boicotá.

Acompanhei o desfile até onde agüentei. Passamos por todas aquelas ruas estreitas até sairmos pelo Arco do Teles. Dali, o bloco continuou pela Sete de Setembro. Peguei o Flávio pelo braço e fomos ao cinema no Paço Imperial. Lembrei que às 13h10 (horário ingrato, não?) haveria uma sessão de Vinicius... Eis um filme que eu não pensava em assistir, mas tive que dar o braço a torcer. Mas, agora, fica pra próxima!