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segunda-feira, 7 de maio de 2007

Noel Rosa de geração em geração

Os moradores de Vila Isabel homenageiam seu poeta nos
70 anos de sua morte

Na falta de foto, fiquem com o programa do show...

Pensei em passar o último fim-de-semana descansando, para me recuperar de uma gripe maldita que me pegou em cheio. Começaria já pela sexta-feira, indo para casa dormir. Simples assim. Acontece que, no trabalho, fiz minha visita habitual ao blog Histórias do Brasil, do meu querido professor Luiz Antonio Simas, e me dei conta de que era 4 de maio. Ou seja, há exatos 70 anos morria Noel Rosa. Para quem me conhece, sabe que desde criança sou fascinada pela obra desse sujeito. Aos 18 anos, em pleno ano de vestibular, larguei apostilas e simulados para devorar a biografia escrita por João Máximo e Carlos Didier, “Noel Rosa: uma biografia”. Livro que considero, aliás, um dos melhores que li até hoje.

Passei, então, a procurar as homenagens que fariam, pois 70 anos de morte é uma data importante, não é mesmo? Afinal, a partir do próximo 1º de janeiro, a obra de Noel Rosa cairá em domínio público e isso merece ser celebrado. Acontece que os únicos eventos de que ouvi falar foram os Escravos da Mauá (sempre com aquela história de “não divulguem” e blá-blá-blá), meio longe para quem estava gastando lenços e mais lenços de papel, e um show em Vila Isabel. E esta foi minha escolha por três motivos: de graça, perto de casa e com um time de primeira (Nilze Carvalho, Marcos Sacramento, Cristina Buarque e Roberto Silva, para citar apenas os cantores).

Não me arrependi. Graças à pouca divulgação, o evento não ficou insuportavelmente lotado. Foi um típico evento de bairro, com as pessoas andando despreocupadas pelo Boulevard 28 de setembro, cujo trânsito ficou fechado até meia-noite. A localização do palco foi privilegiada, perto de vários bares e de frente para o tradicional Petisco da Vila. Mesinhas e cadeiras ocuparam metade da rua, a outra metade ficou livre para o pessoal acompanhar o show de pé. Noite agradabilíssima. Acompanhem só o programa:

1) Nilze Carvalho
- Eu vou pra Vila
- Conversa de botequim
- Feitio de oração
- Com que roupa?

2) Marcos Sacramento
- Só pode ser você
- Mulato bamba
- Meu barracão
- Triste cuíca

3) Cristina Buarque
- O x do problema
- Cem mil réis / Quem ri melhor
- Julieta
- Três apitos

4) Roberto Silva
- Fita amarela
- Dama do cabaré
- Palpite infeliz
- Feitiço da Vila

5) Encerramento (Todos)
- O orvalho vem caindo / Até amanhã

O bis eu esqueci... Minha memória não é lá das melhores, né!? Mas, saquem só os músicos: Henrique Cazes – cavaquinho e direção musical; Luis Filipe de Lima – violão; Itamar Assiere – piano; Dirceu Leite – sopros; Beto Cazes e Paulino Dias – percussão. Aplaudidíssimos, claro. Exceto no momento em que Henrique Cazes desandou a elogiar o vereador Paulo Cerri. Desnecessário, eu acho. Bem, até entendo o agradecimento, uma vez que foi ele o responsável pela homenagem... Mas a babação de ovo a meu ver foi excessiva. E as vaias, portanto, merecidas.

De lá, eu e Flávio fomos beber no Vila de Noel com os amigos que encontramos pelo caminho. Várias Bohemias depois, vimos o trânsito voltar a circular normalmente. Minha gripe, é claro, piorou consideravelmente e fomos embora. Só não consigo entender como é que as pessoas podem perder eventos como esse, de qualidade, baratos e super tranqüilos. Como a senhora que encontrei no caixa do banco Santander e me perguntou se eu também estava indo ao bingo. Constrangida, bastante nervosa, disse-me que havia acabado de perder R$ 1.000 e que não sabia o que iria fazer. Estava ali para ver se sacava algum dinheiro e voltava lá, para tentar recuperar alguma coisa. Me deu uma tristeza... Minha vontade foi arrastá-la comigo pela rua, para comer uma tapioca e tomar umas cervejas até o show começar. Mas, acho que seria inútil... Não é mesmo?

5 comentários:

Diego Moreira disse...

A cidade está cada vez mais repleta desses (as) coroas viciados(as) em bingos. Lá dentro, no auge do estresse, fumam desesperadamente, gritam, socam as mesas... um troço de louco...
Pode reparar. Tem sempre um ponto de taxi pertinho de um bingo. É pra levar os coroas, abastados ou empobrecidos, pra casa...

Beatriz Fontes disse...

Diego: Já tinha reparado nisso, sim. Mas, convenhamos... Os pontos de táxi estão espalhados pela cidade inteira!!! Não sei se você dirige, mas eu fico irritadíssima quando pego uma "maré amarela" pela frente. Isso tá uma zona! :-P

Quanto à senhora que encontrei... O que mais me doeu foi perceber que era uma pessoa simples, sabe? Não era rica e, certamente, os mil reais que ela perdeu farão falta. E sabe-se lá o que ela perdeu depois!

Tive a impressão de que ela estava ali no banco tentando sacar algum empréstimo... Juro que minha vontade foi arrancar o cartão da mão dela. Saí de lá rapidinho.

É uma bola de neve essa exploração. Os bingos levam a pessoa ao limite e esta, literalmente, estoura o limite no banco. Este, por sua vez, oferece milhares de vantagens e praticamente se tornam donos dessa pessoa. É demais para mim. :-(

Arnaldo disse...

Bia,

Comprei o livro do João Máximo assim que saiu, mas nunca encarei sua leitura. Já o utilizei pra pesquisa. Lembro-me porém de ter lido, maravilhado, o livro No tempo de Noel Rosa, de Almirante, lançado em 77. Foi em 77 também que assisti à peça O poeta da Vila e seus amores, escrito pelo Plínio Marcos. Apaixonei-me por Noel nessa época, aos 17 anos. Só agora me dou conta que em 77 faziam 40 anos de sua morte.

Beatriz Fontes disse...

Arnaldo: Esse livro do João Máximo e do Carlos Didier é daqueles que você começa a ler e não consegue parar. Na verdade, é uma puta aula de história. Principalmente, história do Rio, da era do rádio, dos costumes da época. E, claro, o retrato de Noel é, acho, dos mais completos. Mas nunca li o livro do Almirante. Até hoje não encontrei para comprar... E, bem, eu nasci em 77. (desce o pano) ;-)

Diego Moreira disse...

Fato que a maré amarela, pra quem dirige, é triste de encarar. Ainda mais sabendo da máquina de exploração que o taxi se tornou. Tem um sujeito, não lembro o nome, que tem mais de 700 taxis na praça do RJ. 700 motoristas pagando entre 110 e 130 reais por dia, 5 vezes por semana, e nosso prefeito tem participação direta nisso. Hoje a cidade do rio tem mais de 40 mil viaturas de taxi na rua. É isso!

Mas dá até pena ver a situação de uma senhora como essa... Eu também teria saído do banco às pressas...

Abraço!