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segunda-feira, 11 de junho de 2007

Mais uma do CineSobrado...

"Dois perdidos numa noite suja"
Adaptação deixa a desejar. Alguém aí viu a peça?

Sei que vivo arrumando desculpas para os meus sumiços. Perdão, mas até que a razão desta minha última ausência é razoavelmente justificável. Como alguns sabem: estou às voltas com os preparativos para o meu casamento. Sim, é isso. Flávio e eu resolvemos, enfim, nos casar. E ainda esse ano, em outubro. Ou seja: eu, que nunca entendi a antecedência de mais de ano com que tantas mulheres começam a se preparar, começo a me descabelar por ter apenas seis meses (e cada vez menos) para organizar tudo. Sempre achei que fosse frescura de mulherzinha... Agora pago pela língua.

Por tudo isso, acabei nem comentando o último filme do CineSobrado. Conforme informei em minha última postagem por aqui, exibimos “Dois perdidos numa noite suja”, de José Joffily. A história é a seguinte: Paco (Débora Fallabela) e Tonho (Roberto Bontempo) são dois brasileiros que vivem ilegalmente em Nova York. Os dois dividem um apartamento em um galpão na região portuária da cidade. Tonho, tímido, sonha apenas em ser bem-sucedido, mas sente saudades da família e do Brasil. Já Paco é uma cantora de hip hop que ambiciona estourar nas paradas de sucesso. O filme é uma adaptação da peça homônima de Plínio Marcos. E o problema é que, mesmo sem ter assistido à peça, fiquei com a impressão de que esta é mil vezes melhor que o filme.

Tonho e Paco. Cenário: Nova York


Não me entendam mal. “Dois perdidos numa noite suja” não chega a ser um mau filme. Afinal, temos em cena dois grandes atores e uma boa produção, com cenas filmadas no Central Park, na Estátua da Liberdade e nas ruas de Manhattan e Broadway. Acho, inclusive, que a escolha de Nova York como cenário foi muito feliz, no sentido de mostrar duas personagens completamente desamparadas. Considero a cidade o sinônimo da metrópole capitalista, onde ninguém interage com ninguém. E, pelo que entendi, era mais ou menos essa a questão trazida pela peça: a miséria humana. A cidade-cenário só não tinha nome...

No entanto, penso que o roteiro deixa alguns furos. E, nesse sentido, o tradicional debate após o filme foi essencial para resolver algumas questões. A começar pelo relacionamento inverossímil do casal que, “em meio às esperanças, dificuldades e desencontros, apaixona-se em uma metrópole bela e violenta”. A história de vida Tonho é mais ou menos explícita, ao passo que a de Paco é excessivamente nebulosa. Talvez porque, originalmente, a personagem fosse de um homem e tenham sido necessárias muitas adaptações para encaixá-la na história. O dilema em torno das botas que ela compra por US$ 500, por exemplo, só ganha algum sentido se sabemos que isso tem relação com a peça. Afinal, a disputa por um “pisante” parece ser a mola-mestra da história de Plínio Marcos. Enfim... Deu vontade mesmo foi de conhecer a peça.

Não percam o próximo filme...

"Proibido proibir"
Quando? Nesta quarta, dia 13 de junho, às 20h!!!
Onde? Sobrado Cultural - Rua Gonzaga Bastos 312, Vila Isabel
Quanto? R$ 2 ou 1 Kg de alimento não perecível
Informações: 3238-0650

4 comentários:

Outra Carol disse...

Ainda não tive oportunidade de ver nem o filme nem a peça, mas esse título sempre me rende boas piadas do lado de cá: sou/estou sempre perdida em noites sujas.. hehehe.

DE TUDO UM POUCO disse...

Parabéns pelo casamento!!!Também achava que tanta antecedência nos preparativos do casório eram frescuras;mas tenho acompanhado os preparativos de uma amiga que vai se casar em agosto e vi que,quando for o meu,devo precisar de 1 ano e meio(ahahahaha)!Mas isso vai demorar(ainda vou fazer 23 aninhos,sou um bebê).
Então,eu nunca vi a peça,mas sei,pelo meu pai,que são 2 nordestinos tentando a vida em Santos,SP.Mas recentemente,essa peça estava em cartaz aqui no Rio com o ator Jonas Bloch,mas era em curta temporada e eu infelizmente,perdi!!!

Arnaldo disse...

A única coisa que assisti, do Plínio Marcos, foi O poeta da Vila e seus amores, sobre Noel Rosa. Excelente.

Eu costumava encontrar, sempre, o Plínio Marcos nas portas de shows e teatros, vendendo seus livros nas filas. Isso lá na década de 70.

Casar é uma coisa muito boa, menina. Quando casamos, eu e a Clélia, não teve muitos preparativos, não. A gente nunca se ligou nessas coisas. Nem era pra ter nenhuma cerimônia. No fim, teve um evento (leia-se festa) bem simples, sem padre, sem vestido branco e sem gravata.

Acho que o casamento é uma coisa muito mais importante do que a cerimônia do casamento. Esta, dura no máximo 1 hora. O casamento, quando dá certo, dura muito mais. O nosso, já tá durando mais de 20 anos.

Beatriz Fontes disse...

Arnaldo: Também acho que casamento é muito mais do que a cerimônia ou a festa em si. Vejo meus pais casados há 30 anos e, muitas vezes, me pergunto como eles conseguem. Certas horas, o bicho pega. Mas, então, vejo que existem tantas outras coisas que fazem o troço valer a pena. Namoro há 9 anos (pois é...) e sempre relutei em casar. Não faço a menor questão de cerimônia, mas adoro uma festa. Acontece que sou filha única... Como meus pais não são religiosos, da igreja eu consegui escapar. Do cartório, nem pensar! ;-)