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sexta-feira, 10 de junho de 2005

E a casa é mesmo de areia!

Dando prosseguimento à minha dieta cinematográfica, fui conferir o filme “Casa de Areia”, lá no Espaço Unibanco, em Botafogo. Era um domingo chuvoso e aproveitei uma carona. Afinal, agora o metrô carioca funciona de segunda a segunda, né!? Que nada, dei de cara na porta... E até hoje não descobri o motivo. Voltei de ônibus.



Mas, voltando ao filme, devo esclarecer que não me enquadro no perfil de fã incondicional de Fernandas (com exceção da Fê, minha amiga cada vez mais alemã). Desconfio sempre dessas unanimidades que vêm estampadas nas páginas dos jornais e revistas. Hoje, Fernanda Montenegro é vista como o modelo de atriz brasileira, a “grande dama”, a melhor entre as melhores, essas bobagens. Não nego que seja excelente, mas trata-se de uma personalidade tão intocável que, às vezes, a gente fica sem saber se as personagens que interpreta não são uma só: ela mesma. Sua filha, Fernanda Torres, segue pelo mesmo caminho e, em sua interpretação, parece ter incorporado para sempre certos trejeitos da Vani (de “Os Normais”).

Pois bem, “armada” desse jeito, fui assistir ao tão falado “Casa de Areia”. E fui conquistada pela aridez da narrativa (tanto no cenário, quanto nos diálogos), digna de um Graciliano Ramos. Quanta areia! E que silêncio. Só faltava a
cadela Baleia correndo por entre as dunas dos lençóis maranhenses. É, não teve jeito, nos primeiros minutos do filme não conseguia parar de pensar no “Vidas Secas”, transposto para a telona por Nelson Pereira dos Santos. Se fosse em preto-e-branco, então... Mas não foi por isso que saí do cinema em quase estado de choque! Sim, porque foi assim que eu me senti ao fim da projeção: sem chão.

Sem dúvida, para mim, o protagonista do filme não é intepretado por nenhuma das duas atrizes. E muito menos por Seu Jorge ou Luís Melodia. O personagem principal é o próprio cenário. Afinal, a areia parece ter vida própria e exerce um poder imenso sobre a vida dos que habitam ali. Entretanto, revejo meus (pre)conceitos: tiro o chapéu e jogo flores aos pés de Fernanda Montenegro. A mulher é um espetáculo! Ela e a filha interpretam várias gerações de uma mesma família e desempenham seus papéis com perfeição. Ainda acho a Fernanda Torres um tanto careteira, talvez um pouco exagerada... Mas a mãe... Caramba, o que é aquilo? Depois de passar pela juventude histérica (na pele da Fernanda filha), cada geração assume e delimita sua própria personalidade – amadurece mesmo – na pele da Fernanda mãe. E isso faz com que cada mulher interpretada por ela, no filme, seja única.

2 comentários:

R. Mariano disse...

Gosto da Fernanda, alias, das duas!
Seu blog está quase que especializado em cinema! PAu a pau com o e-filmes!
Beijo!

Dirce disse...

Boa Bia. Me instigou a ver o filme.
Beijos.