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quarta-feira, 1 de junho de 2005

Legendas em filmes portugueses:

clareza ou intolerância?



Maria de Medeiros, em
"Capitães de Abril"


Desde que me admiti cinéfila e voltei a freqüentar as salas de exibição (sempre sem as pipocas, é bom ressaltar!), venho escrevendo sobre cinema. Meus últimos dois posts eram bastante específicos e abordavam basicamente o cinema português. Ao sair da sessão de "Um filme falado", no Arteplex, me peguei tentando lembrar que outro filme realizado por Manoel de Oliveira eu havia visto no cinema. E, mesmo tendo acesso a toda a filmografia dele, não consegui lembrar! Mas sei que já assisti a algo, o que terá sido? Passei, então, a tentar resgatar na memória outros filmes portugueses...

O resultado: com exceção do tal "Mortinho por chegar a casa" (ao qual me referi no post anterior), só lembrei de "Capitães de Abril", realizado pela também atriz Maria de Medeiros. Trata-se de um bom filme, através do qual podemos conhecer um pouco do contexto em que se deu a famosa Revolução dos Cravos, que pôs fim a um perído ditatorial que teve início com Salazar. O tema, abordado de forma poética, é de fácil assimilação pelo espectador brasileiro. Afinal, de ditaduras nosso povo entende bem. Embora, infelizmente, de revoluções nem tanto... Mas, assistindo ao filme, percebemos que tampouco os portugueses! Aos poucos, percebemos o quanto somos parecidos, ao mesmo tempo em que somos diferentes.

Já que falei em diferença, há algo que me incomoda muitíssimo ao assistir a filmes portugueses no cinema: as legendas. Elas me confundem demais! Entendo que elas sejam necessárias, afinal, o brasileiro não está acostumado à diversidade de falares de sua própria língua. Nossos sotaques regionais, muitas vezes, são motivo de riso e logo viram piada. O eixo Rio-São Paulo impõe, pouco a pouco, uma modalidade padrão (carioca?) que faz com que os locutores de rádio e apresentadores de TV utilizem, todos, um falar uniforme. Penso que, se não conseguimos respeitar e compreender nossas diferenças locais, imagine então quando estas vêm de além-mar!

Entretanto, como exigir do brasileiro que entenda seu próprio idioma quando falado em Portugal e nas antigas colônias, como o Timor, Moçambique ou Cabo Verde? Por vezes, nem parece a mesma língua! Tudo culpa do isolamento em que nos mantivemos por tanto tempo e para o qual contribuíram as ditaduras, de lá e de cá, em que estivemos mergulhados por anos. Formou-se uma barreira cultural e, para transpô-la, só se investirmos em eventos que promovam o intercâmbio, a integração... Mas eu não tive notícias de uma nova edição do Encontro com Portugal ao qual já me referi em outro post. Alguém teve?

Além do mais, sinceramente, tenho minhas dúvidas se as tais legendas ajudam. Afinal, com a desculpa de tornar o filme compreensível para todos, elas acabam por “abrasileirar” os diálogos. Então, o que se lê não é o mesmo que se ouve. E isso, para mim, é uma tremenda falta de respeito... Respondendo à pergunta do título: intolerância pura.

Um comentário:

André Ferreira disse...

Bom! Eu próprio acho que alguns filmes portugueses deviam ter legendas pois a sonoplastia em Portugal não é das melhores, mas dai a abrasileirar os textos parece-me que há uma enorme diferença, se a lingua é a mesma não vejo o sentido de se modificar o texto! Será que também se faz o mesmo com os livros? Um Saramago abrasileirado perderia grande parte do seu gosto por certo!
Enfim! Ao menos não fazem como aqui os nossos vizinhos espanhóis que dobram tudo para castellano! Imagino é a confusão que cria estar a ver um filme em português com legendas que não correspondem ao texto original! É de loucos!