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quinta-feira, 12 de maio de 2005

Ler em um café do Centro

Uma tentativa de ser cosmopolita

Dia desses, aproveitando o meu horário de almoço, entrei em um café para ler. O ambiente é charmoso e bastante tranqüilo. O atendimento é simpático, o que compensa os preços um pouco salgados. Para alguém como eu, sem tempo disponível para ler por prazer, é um verdadeiro achado. Para ser melhor, só se tivesse um sofá bem confortável. Mas, na falta, serve a mesinha de madeira mesmo. O lugar chama-se Cafeteria Ignon (é um cybercafé) e fica na esquina da Visconde de Sepetiba com a São Pedro, no Centro de Niterói.

Pedi uma minitorta alemã (deliciosa!) e uma coca (light, é claro). Tomei posse da mesinha do canto, onde sentei de frente para a porta. Saquei o livro da bolsa e comecei a folheá-lo. Entre garfadas de torta, lia uma ou duas páginas. Terminei o doce, tomei o último gole de coca-cola, acabei o parágrafo e saí. Foi uma boa experiência. Não via a hora de voltar. Sempre achei o máximo do cosmopolitismo essa história de ler em cafés.

Ontem, decidi repetir o ritual. Afinal, há meses tento ler o “Vigiar e Punir”, do Foucault. Mas esse é o tipo de leitura que não permite dispersões. É preciso ter atenção, para compreender “a história da violência nas prisões” contada pelo autor. O problema é que tenho prova sobre o livro na semana que vem e gostaria de terminar a leitura... E, se possível, ler os dois livrinhos de Freud que também foram pedidos pelo meu professor de Comunicação Comparada. Maldita falta de tempo!

Entrei no café. Pedi uma minitorta (dessa vez a suíça, também deliciosa!) e minha coca light. Escolhi a mesma mesa. Sentei. Tirei o livro da bolsa e... A dona, muito simpática, veio me trazer o que pedi. Não resistiu e perguntou:

— Você é espírita?

Estranhei um pouco a pergunta, mas respondi:

— Não.

— Mas esse livro é espírita, não é? — Ela prosseguiu.

E eu, implacável, respondi apenas:

— Não.

Não sei qual o tom da minha última resposta, mas tenho medo de ter soado grosseira. Não era a intenção. O fato é que, naquele momento, além de estar em busca de paz e não querer conversar com ninguém, eu não podia imaginar que alguém não conhecesse Foucault. Sei que é um raciocínio pedante, elitista, mas não pude evitar. Assim como também não consegui parar de pensar a respeito disso. Minha leitura, então, foi bem pouco produtiva.

3 comentários:

R. Mariano disse...

Biazita... Estranho é alguém conhecer! Eu mesmo o conheço há apenas um ano. Se não estivesse na faculdade, talvez jamais conheceria...
Sobre o espiritismo... até que "Vigiar e Punir" tem mesmo nome de livro psicografado! Hhauhauhauhau.
Beijos
R. Mariano

Thomaz Amorim disse...

Ai, ai... Beatriz,

O pior é que, neste caso, há uma explicação lógica. Na próxima vez que vc for a uma livraria perceba a organização. Por exemplo: na Sodiler, temos Umberto Eco, Nietzsche e Baudrillard na mesma seção: espiritismo.

A pessoa deve ter feito essa associação. O que demonstra mais uma vez o mau axioma: o brasileiro só lê os rótulos e sai tirando todo o tipo de conclusões...

Beijos.

André Ferreira disse...

Ler no café é uma delicia, faço-o muitas vezes. Nos cafés consigo concentrar-me muito nas leituras. Foucault espírita :) tens de admitir que é delicioso! Coitada da rapariga, não podes dizer nãos assim! Defacto é um pouco pedante e elitista julgar que todas as pessoas conhecem Foucault, mas talvez pensar que ninguém o conhece seja pior! Quando se gosta muito de algum escritor deseja-se que toda a gente o conheça, creio que é normal.

Beijinhos