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quinta-feira, 19 de maio de 2005

Sob protesto!

Os metalúrgicos de ontem, hoje são mais numerosos. Fecharam a rua. O carro de som desfila pelo Centro de Niterói, comunicando suas exigências. Por isso, achei cabível copiar o arremedo de poema que segue abaixo. Mais uma vez, peço perdão a quem já o conhece...

Segunda-feira.
O sol brilha e anuncia
um belo dia:
quente, efervescente,
de suar em bicas.

Os trabalhadores
despertos
sequer olham o céu
e rumam cinzentos,
idênticos e apáticos,
como sempre.

Caminham
no mesmo ritmo,
contando as horas
que os separam
da liberdade lá fora.

Ao fim da jornada,
exaustos,
o sol há muito já era.
Resta apenas a lua,
a noite,
a espera.

Passa a terça,
a quarta, a quinta...
E só quando vier
a sexta-feira,
o trabalhador olhará
para o céu do amanhã
de outra maneira.

***

Uma homenagem a todos
os trabalhadores brasileiros
e do mundo inteiro
que, como eu,
mal podem esperar
para viver intensamente
mais um sábado
e um domingo.

***

Deixei de ser gente,
passei a ser coisa.
Sou gado marcado
a ferro e a fogo
por meu patrão.

Não sou indiví­duo,
não tenho vontade,
sou funcionária,
uso uniforme
e bato o cartão.

Exijo respeito,
mas de que jeito?
Sou operária,
sou nada,
sou máquina.

(30 de abril de 2004)

Publicado no Multiply, em 29 de outubro de 2004.

Um comentário:

R. Mariano disse...

Sobre o texto anterior...
Sei bem o que é isso. Vc sabe que não trabalho, mas sempre que vemos uma cena como essa, onde alguém se manifesta dessa forma sobre algo que nos diz respeito, é mesmo emocionante.
Isso me lembrou as vezes que fui pra SP no dia da Parada... Chorava que nem uma criança na abertura do evento, quando os lideres do movimento falaram sobre a real intenção daquilo tudo para um milhão de pessoas lá em baixo.
Não sei se as duas coisas podem ser comparadas... Mas de qualquer forma, são movimentos que clamam por direitos e liberdade, então, resolvi escrever mesmo assim.
Beijo Biazita!
R. Mariano