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segunda-feira, 25 de abril de 2005

Que venha o novo papa!

Tentei manter-me alheia à sucessão do papa. Não consegui. Primeiro, por causa de um e-mail enviado por um amigo que se mostrava surpreso com a comoção causada pelo assunto. Ele tinha ido comprar cigarros em um botequim e notou que as pessoas acompanhavam a disputa como se fosse uma Copa do Mundo. Torciam por um papa brasileiro e isso o preocupava bastante.

Não sei bem o motivo, mas gastei linhas respondendo que não me importava com essas bobagens. Cheguei até a tentar mostrar que um papa brasileiro não poderia ser assim tão ruim. Afinal, além de ser algo bastante improvável, havia candidatos bem piores. Algo que os cardeais fizeram questão de ratificar em seguida, elegendo um inquisidor, um nazista que ironicamente decidiu chamar-se Bento XVI. Tudo bem que a igreja seja reacionária, mas dessa vez exageraram!

O segundo fato que me fez abandonar de vez minha postura indiferente veio no dia em que anunciaram a escolha desse novo papa. Eu havia lido algo a respeito na internet e, logo em seguida, saí para o almoço. Caminhava tranqüila por entre os camelôs da rua São Pedro, no Centro de Niterói, quando notei duas mulheres conversando.

Uma gritou para a outra: “Por que esses sinos não param de bater?” Ao que a outra respondeu: “Já escolheram o novo papa. Acabei de ver na TV!” “E quem é?”, perguntou a primeira. “Não disseram ainda”, respondeu a segunda. Ouvindo este diálogo é que fui me dar conta da importância que o assunto tem para as pessoas. Comecei a achar que se tratava de um fato relevante afinal. Eu estava vivendo um momento histórico.

O impressionante é ver como a igreja católica continua a interferir na vida das pessoas. Pensando assim, experimentei uma sensação angustiante: andar pela rua São Pedro ao som do badalar ininterrupto dos sinos da igreja de São João. Tal como um metrônomo castrador, impõem seu ritmo: impossível apressar ou diminuir o passo. Por isso, acredito que não podemos fingir que a igreja não existe. É preciso conhecê-la para poder combatê-la.

3 comentários:

Beatriz Fontes disse...

Meu primo Herbert questionou que a culpa dessa comoção toda é da mídia, que transforma tudo em espetáculo. Eu até concordo, mas considero que o poder da igreja católica é anterior a tudo isso. Portanto, a comoção existiria com ou sem a cobertura dos veículos de comunicação de massa.

R.Mariano disse...

Eu disse... Isso é uma merda!
Assino em baixo do seu post!
R. Mariano

Thomaz Amorim disse...

Bia,

Como venho dizendo há alguns meses sobre a questão. Foda-se o papa. E só...

Beijos.